1. Perspectivas Históricas
As palavras do francês moderno masser (verbo) e massage (substantivo) podem ser derivado de qualquer uma das três
raízes originais, ou seja, da palavra hebraica mashesh,da palavra árabe mass,ou da palavra grega massin. Embora obviamente de origem
francesa, masseur (masculino) e masseuse (feminino) foram introduzidas
na língua inglesa para denotar os que praticam a massagem.
A massagem é
mencionada como uma forma de tratamento nos registros médicos mais antigos, e
seu uso persistiu durante toda a historia escrita. Textos de médicos, filósofos, poetas e historiadores
mostram que alguma forma de fricção ou de unção era utilizada desde a mais
remota antiguidade nas culturas em todo o mundo. A historia da massagem é
extensa e complexa. Neste capitulo, apresentamos uma visão geral de sua
cronologia.
1.1 Aspectos Gerais da História da Massagem
Época pré-histórica
Apesar
de existir pouca evidência de que a massagem era praticada como uma arte
curativa nos tempos pré-históricos, parece muito provável que isto ocorresse.
Existe certa qualidade instintiva para o uso das mãos num movimento de fricção
e compressão, que é tanto calmante como confortante. De fato, observa-se que
muitas espécies animais, especialmente os primatas, tem um comportamento de
contato (coçar, cuidar dos pêlos); embora este comportamento não seja
necessariamente terapêutico, certamente faz parte do repertório comportamental
de muitas espécies. Em suma, o contato como atividade tem sua gênese num ponto
muito remoto da evolução humana.
Embora esta
cultura antiga tenha pouca ou nenhuma história registrada, com quase absoluta
certeza podemos afirmar que as técnicas de massagem faziam parte de sua
“cultura médica”. Certamente, os humanos pré-históricos eram capazes de
praticar uma forma de medicina bastante sofisticada, inclusive a cirurgia cerebral. A prática bem conhecida de
remover pequenos círculos de osso do crânio, chamada trepanação, demonstra claramente
que os praticantes daquela época tinha grande capacidade de realizar tarefas médicas
complexas. Eles eram não só capazes de fazer orifícios nos crânios de seus “pacientes”, mas também eram capazes de
realizar esta pratica mais de uma vez na mesma pessoa. Além disso, os achados
antropológicos demonstram claramente que muitas pessoas sobreviviam a esse
procedimento. Então, como não acreditar que uma cultura capaz desse nível de
pratica cirúrgica deve ter descoberto, muito tempo antes, os benefícios
consideráveis e óbvios de atividades similares á massagem.
História Antiga
O uso de
técnicas de massagem manual em muitas culturas antigas está sobejamente
registrado em documentos pictóricos e escritos. Por exemplo, na época de Hwang
Ti, o Imperador amarelo (que morreu em 2599 a.C.), foi escrito o grade tratado
médico chinês conhecido como Nei Ching (por
volta de 2760 a.C.). Esta obra contém descrições detalhadas de procedimentos
semelhantes á massagem, e uma enorme quantidade de descrições detalhadas de seu
uso. A massagem também está descrita em um dos primeiros dos grandes textos
médicos da Índia antiga, os livros Ayur-Veda
da sabedoria (cerca de 1800 a.C.). Quase todas as grandes culturas antigas do
mundo descreveram, com certo detalhamento, os usos e benefícios da massagem,
que freqüentemente era combinada com outros tipos de tratamento tradicional,
sobretudo os tratamentos por banhos. As
culturas egípcia, persa e japonesa, em particular, enfatizavam muito o uso da
massagem e destes tratamentos correlatos.
Os gregos
antigos usavam amplamente a massagem para manter a saúde física e, para
assegurar uma beleza duradoura. Homero descreveu na odisséia como soldados
“dilacerados pela guerra” erram massageados, o que lhe trazia de volta a saúde.
Hipócrates (460-360 a.c.) também escreveu sobre esse assunto, tendo descrito
muitos dos usos da massagem na prática médica.
Os gregos
antigos, talvez mas que as outras culturas, são responsáveis por dar á massagem
tamanho grau de aceitação social. Este povo estabeleceu casas de banho muito
sofisticadas, onde havia possibilidade de práticas de exercícios, massagem e
banhos, mas os seus clientes amavam mais a luxuria, em vez de buscar a saúde.
Os romanos
herdaram boa parte da tradição da massagem dos gregos e essa prática era
amplamente utilizada, especialmente em conjuntos com banhos quentes. Galeno
(131-201 d.C.), o médico mais famoso do Império romano, escreveu extensamente
sobre o tópico da massagem, tendo descrito diversos modos pelos quais a
massagem poderia ser administrada. O uso da massagem teve continuidade no
inicio da idade média, porém sua prática sofreu algum declínio na Europa e na
Ásia. Esta era ficou conhecida como a “Idade das trevas”, e durante este
período foram abandonados muitos aspectos da cultura e prática antigas.
História Moderna da Massagem Terapêutica
(Europa, principalmente Grã-Bretanha)
Grande parte
da cultura e tradição antiga na medicina e na ciência se perdeu durante a Idade
Média e foi somente durante o século XVI que alguns dos métodos mais antigos da
prática médica voltaram a ser empregados. Avanços no estudo da anatomia e
fisiologia possibilitaram que os cientistas da época compreendessem mais a
cerca dos efeitos e usos de algumas dessas tradições mais antigas. Ambroise
Paré (1518-1590), o famoso cirurgião francês, encontrava-se entre os primeiros
autores a levar em consideração e a discutir os efeitos da massagem.
A descoberta
da circulação sangüínea por Harvery, em 1628 contribuiu para aumentar a
aceitação da massagem, como medida terapêutica. Apesar desses avanços
aparentemente importantes, os tratamentos por massagem não se tornaram
populares em toda a Europa até o século XVIII. Naquela época, dois dos mais
notáveis expoentes do tratamento eram alemães: Hoffmann (1660-1742) e
Guthsnuths, outro médico famoso, que por volta de 1880 afirmava que a massagem
podia ser um tratamento muito útil, sobretudo para os tecidos moles depois de
uma fratura, foi o francês Just Lucas-Championnière (1843-1913). Pouco antes da
virada do século XX, William Bennett havia se impressionado com o trabalho de
Lucas-championnière e começou o que, na época, era um tratamento
revolucionário: passou a usar a massagem no St. George’s Hospital, em Londres,
Inglaterra. Outros autores também defenderam vigorosamente a massagem para uma
série de problemas dos tecidos moles, especialmente a cãibra dos escritores.
Habitualmente,
considera-se que a era da massagem moderna teve inicio no começo do século XIX,
quando uma vasta gama de autores estavam defendendo a massagem e criando seus
próprios sistemas.
Pode-se
argumentar que a mais famosa e duradoura influência para a massagem é a
contribuição dada por Pehr Henrik Ling (176-1839). Ling desenvolveu seu próprio
estilo de massagem e exercícios, que mais tarde, adquiriram reconhecimento
internacional (Massagens e Exercícios Medicinais Suecos). Ling era um instrutor
de esgrima e em 1805 foi nomeado mestre de esgrima da Universidade de Ling, na
Suécia. Ling projetou pessoalmente um sistema que consistia de quatro tipos de
ginástica: educacional, militar, medicinal e estética. Em 1813, fundou o
Instituto Central de Ginástica, em Estocolmo, e lá ensinou até sua morte em 1839.
Grande parte do trabalho de Ling foi publicada postumamente, sobretudo graças
aos esforços de seus alunos e colegas. Ling adquiriu reputação internacional pela terminologia que
leva seu nome, em muitos casos,
modificações de seus conceitos básicos
de exercícios foram aplicadas em todo o mundo. Contudo, nos últimos anos,
muitas das idéias originais de Ling perderam popularidade, mas seu trabalho
permanece exercendo uma influência muito importante nos primeiros passos do
desenvolvimento da massoterapia e fisioterapia como profissão.
Na Holanda,
Johann Mezger (1839-1909) também utilizou amplamente da massagem, tendo criado
um estilo próprio. Por volta de 1900, técnicas modernas de massagem médica estavam em uso na maior parte
do mundo desenvolvido e, certamente, continuaram a ser utilizadas nas culturas
mais antigas. Em 1894, na Inglaterra, um grupo de quatro mulheres dedicadas
fundou a Society of Trained
Masseuses, com o objetivo de elevar os padrões da massagem e o
“status” das mulheres que praticavam esse trabalho. Em 1900, essa sociedade foi
incorporada, por licença, a câmara de
comercio, ficando conhecida como Incorporatend
Society of Trained Masseuses. Durante a primeira guerra mundial, o número
de membros aumentou e, por volta de 1920, havia cerca de 5.000 membros
praticantes. Nesse mesmo ano, a sociedade fundiu-se com o Instituto de Massagem
e Exercícios Terapêuticos (em Machester). Estas duas organizações receberam uma
carta patente real, resultando então na Chartered
Society of Massage Medical Gymnnastics (csmmg),
à medida que um grande números de soldados retornava de várias partes do mundo
e que o papel da fisioterapia se tornava cada vez mais importante. A segunda
guerra mundial presenciou o surgimento de uma nova profissão. Por outro lado, a
massagem considerada isoladamente passou a se tornar cada vez menos importante,
à medida que outros modos de reabilitação iam se desenvolvendo. Por essa razão,
ficou decidido que o nome da sociedade deveria ser mudado e em 1943 ela se
tornou a Chartered Society of
Physiotherapy (CSP), nome que permanece até os nossos dias.
A massagem foi
amplamente substituída por outros tratamentos mais ativos, mas permanece sendo
um dos modos mais importantes de desenvolvimento das habilidades manuais no fisioterapeuta.
Na prática da fisioterapia, a massagem em tecido mole evoluiu para muitos tipos
de técnicas de mobilização manual, que assumem a forma de grande variedade de manipulações, realizadas tanto nos tecidos
moles como nas estruturas articulares.
Em muitas
culturas asiáticas antigas, como a China, Japão e Índia, a massagem é ainda,
utilizada como parte dos métodos “tradicionais” de tratamento. A massagem como
tratamento especifico desempenha um papel relativamente pequeno na medicina
“ocidental” moderna; contudo, nos últimos anos, surgiram, em muitos paises,
profissionais especificamente massagistas (massagem-terapistas ou Massoterapeutas).
Nesse caso, a modalidade terapêutica é a própria massagem. As técnicas de massagem são utilizadas na promoção de uma
sensação geral de relaxamento e bem-estar, o público, em geral, ainda, deposita
grande fé na colocação das mãos; contudo, essas formas de massagem devem ser
diferenciadas das técnicas de massagem mais gerais, realizadas em pessoas que são basicamente saudáveis, podem ser chamadas “massagem
recreacional”. O Collins English
Dictionary define a palavra
recreação como “promoção da saúde e repouso do espírito, mediante o relaxamento
e o divertimento”.
O Dorland’s Medical Dictionary define a palavra “terapêutico” como “o que se
refere à ciência e arte da cura”. Transparece nitidamente nesta definição e
suposição da existência de um problema de saúde, que requer uma cura. Por essa
razão, o termo “massagem terapêutica” é empregado no sentido de denotar um
tratamento por massagem quando existe um problema de saúde especifico
objetivado facilitar a cura.
Existem muitas
variações da técnica utilizada na massagem recreacional. Embora muitas dessas
técnicas façam o cliente se sentir bem, elas podem ter pouco valor terapêutico.
Outras técnicas parecem similares aos procedimentos mais terapêuticos.
Certamente, todas estas técnicas possuem um valor psicológico considerável. Por
essa razão, será útil, neste ponto, que estabeleçamos uma diferenciação entre
massagem recreacional e massagem terapêutica. Estes dois termos serão definidos
logo a seguir.
Massagem Recreacional pode ser definida
assim:
O uso de diversas técnicas manuais que objetivam aliviar o estresse e
promover o relaxamento e o bem-estar geral em uma pessoa que não tem um
problema de saúde definível.
Massagem terapêutica pode ser definida
assim:
O uso de diversas técnicas manuais que objetivam promover o alivio do
estresse ocasionando relaxamento, mobilizar estruturas variadas, aliviar a dor
e diminuir o edema, prevenir a deformidade e promover a independência funcional
em uma pessoa que tem um problema de saúde especifico.
Outra técnica
que parece assemelhar-se à massagem é denominada “toque terapêutico”. Esta
técnica um tanto controversa deve ser nitidamente diferenciada da massagem
terapêutica, embora, essencialmente, o nome implique o envolvimento do toque
(contato) no conceito, na verdade, o toque terapêutico não exige que o
terapeuta toque o paciente. As mãos do terapeuta simplesmente são movimentadas
sobre a parte a ser tratada, sem que, na verdade, ocorra o contato. Neste caso,
a técnica pretende “equilibrar os campos de energia” em torno das partes
afetadas.
Tendo em vista
que os efeitos principais da massagem terapêutica são mecânicos, uma técnica
que não possui um componente mecânico não pode funcionar com base nos mesmos
princípios.
2 EFEITOS da Massagem
Efeitos Mecânicos, Fisiológicos,
Psicológicos e Terapêuticos da Massagem
Segundo o
grande filósofo e cientista árabe Avicena, “o objetivo da massagem consiste em
dispersar as matérias gastas (metabólitos) formadas nos músculos e não
expelidas pelo exercício. Ela faz com que a matéria gasta se disperse,
removendo assim a fadiga”. Esta declaração de Avicena nitidamente demonstra que
os eruditos clássicos estavam muito interessados em entender os mecanismos
pelos quais a massagem poderia exercer seus efeitos benéficos.
A massagem dos
tecidos moles exerce três efeitos básicos no paciente: mecânicos, fisiológicos
e psicológicos. Cada uma destas amplas áreas será discutida separadamente
embora estejam intimamente relacionadas. A compreensão destes efeitos conduz a
uma descrição lógica das indicações terapêuticas, e das prováveis
contra-indicações para a massagem.
2.1 Efeitos Mecânicos
Os movimentos
de compressão, tração, estiramento, pressão e fricção exercem evidentes efeitos
mecânicos nos tecidos. As forças mecânicas associadas a cada técnica afetam os
tecidos de diversas formas. Devemos esperar, por exemplo, que as várias
técnicas de amassamento e torcedura exerçam um considerável efeito mobilizador
(de amolecimento ou estiramento) sobre a pele, tecido subcutâneo e músculos,
graças à alternância de compressões e estiramentos dos movimentos da massagem.
Em contraste, espera-se que a pressão gradualmente crescente da effleurage “empurre o sangue venoso e a
linfa presentes nos vasos superficiais na direção do coração, promovendo assim
uma boa circulação e a resolução do edema e do hematoma crônico. De modo
semelhante, a pressão e direção das técnicas de alisamento e effleurage promovem a mobilização do
conteúdo intestinal.
Então, o
principal efeito da massagem consiste em produzir estimulação mecânica dos
tecidos por meio de uma pressão e estiramento ritmicamente aplicados. A pressão
comprime os tecidos moles e distorce as redes de receptores nas terminações
nervosas. O estiramento aplica tensão nos tecidos moles e distorce os plexos
dos receptores nas terminações nervosas. Ao aumentar os lumens dos vasos sanguíneos
e espaços dos vasos linfáticos, estas duas forças afetam a circulação capilar,
venosa, arterial e linfática. Podemos demonstrar um reflexo axonal; estimular
uma série de receptores, tanto superficiais como profundos, na pele, nos
músculos e tendões; nos ligamentos e cápsulas articulares e em muitos dos órgãos
mais profundos do corpo. A massagem também pode soltar o muco e promover a
drenagem do excesso de líquidos nos pulmões.
O modo como
estas forças mecânicas são aplicadas é determinado em grande parte pela escolha
das técnicas de massagem (alisamento, fricção, amassamento, percussão.
vibração) pelo terapeuta, e por sua habilidade em ajustar a duração, qualidade,
intensidade e ritmo do estímulo.
2.2 Efeitos Fisiológicos
Os efeitos
mecânicos da massagem dão origem a uma série de efeitos fisiológicos
importantes.
Efeitos
Fisiológicos da Massagem
• Aumento da
circulação sangüínea e linfática
• Aumento do
fluxo de nutrientes
• Remoção dos
produtos catabólicos e metabólitos
• Estimulação
do processo de cicatrização
• Resolução do
edema e hematoma crônico
• Aumento da
extensibilidade do tecido conjuntivo
• Alívio da dor
• Aumento dos
movimentos das articulações
• Facilitação
da atividade muscular
• Estimulação
das funções autonômicas
• Estimulação
das funções viscerais
• Remoção das
secreções pulmonares
• Estímulo
sexual
• Promoção do
relaxamento local e geral
2.2.1 Efeitos na Circulação Sanguínea e
Linfática
Considerando
que todas as técnicas de massagem envolvem certo grau de manipulação da pele e
dos tecidos subjacentes, é razoável esperar que elas possam exercer um efeito
considerável no fluxo sangüíneo e linfático nestes tecidos tratados. Além
disto, é de se esperar que um edema acumulado nestes tecidos seja similarmente
afetado; Se os músculos estão relaxados, eles passam a constituir uma massa
mole contendo tubos cheios de líquido. Qualquer pressão aplicada à massa deve
empurrar o líquido nestes tubos na direção da aplicação da pressão; portanto,
se for aplicada uma pressão suficiente a toda a massa, as veias mais profundas
também serão esvaziadas. Simultaneamente, esta pressão poderia retardar o fluxo
sangüíneo arterial, caso ele seja suficientemente vigoroso para comprimir as
artérias e veias. Teoricamente, se a quantidade de sangue venoso conduzida ao
coração puder ser aumentada pela massagem, a freqüência cardíaca ou o volume de
batimento também poderiam aumentar, e assim um maior volume de sangue arterial
poderia ser transportado até a periferia. De fato, existe pouca evidência de
tão simples reação mecânica do sistema arterial e arteriolar à massagem.
O sistema nervoso,
provavelmente através de sua divisão simpática, contribui para uma influência
reflexa sobre os vasos sangüíneos das partes envolvidas na massagem. É provável
que os vasos nos músculos ou em qualquer outra parte são esvaziados durante a
massagem, não apenas em virtude de serem espremidos, mas também por meio de uma
ação reflexa. A massagem pode fazer com que praticamente todos os menores vasos
se tornem visíveis, por promover a circulação sangüínea através deles. O volume
efetivo de sangue que passa através do membro durante o período de estimulação
e recuperação não é maior que o normal, mas que ocorre um esvaziamento mais
completo durante breve período, de modo que um volume maior de sangue fresco é
trazido até a parte sob tratamento, por 40 minutos, em comparação com apenas 10
minutos após o exercício. A pressão leve produz uma dilatação praticamente
instantânea, se bem que temporária, dos vasos capilares, enquanto a pressão
mais intensa pode promover uma dilatação mais prolongada.
A massagem
profunda pode aumentar o fluxo sangüíneo e o volume de batimento e diminuir a
pressão arterial sistólica e diastólica e a freqüência de pulso.
Experimentos com
animais demonstram ocorrer pouquíssimo fluxo linfático quando um músculo está
em repouso. Os estudos de Von Mesengeil, e de Kellgren e Colombo sobre os
efeitos da massagem no fluxo linfático detectaram um aumento no fluxo
linfático, quando os músculos foram massageados. Outras pesquisas comprovaram o
aumento da rapidez de absorção de substâncias injetadas
A massagem tem
sido estudada por seu efeito na circulação, como meio de evitar a formação de
úlceras de decúbito. Contudo, a massagem com esta finalidade não segue as
técnicas de massagem tradicionais. Na maioria dos casos, ela assume a forma de
um breve período (30 a 60 segundos) de “esfregamento da pele”, cuja intenção
consiste em estimular a circulação nas áreas de pele com tendência à formação
de úlceras de decúbito. Não é de surpreender que os resultados deste tipo de
massagem são de difícil interpretação, para não falar do seu emprego como base
para fazer recomendações. Em alguns estudos, este tipo de massagem
aparentemente aumentou a circulação local; em outros, teve-se a impressão que
diminuía. Parece improvável que a massagem por fricção rápida da pele produza o
tipo de elevação genuína na circulação capaz de evitar a formação de úlceras de
decúbito. E isto ocorre porquê este tipo de massagem simplesmente gera pequeno
grau de fricção mecânica na superfície da pele. Esta prática provavelmente
ficaria evidenciada como uma alteração ligeira e breve na temperatura
superficial. Por outro lado, seria de se esperar que um tipo diferente de
massagem produzisse um efeito mais profundo na circulação, sobretudo se a
massagem envolvesse o amassamento profundo dos músculos situados em torno da
área, onde tal prática fosse possível. Um modo mais eficiente de produzir uma
rápida mudança na circulação sangüínea da pele consiste em massagear a área com
um cubo de gelo. Neste caso, é o estímulo gelado que produz uma profunda
vasodilatação, em seguida à vasoconstrição inicial.
2.2.2 Efeitos no Sangue
A massagem
produz um aumento da hemoglobina e da contagem enitrocitária no sangue coletado
do dedo, sob pressões barométricas ordinárias, além de um aumento limitado, mas
definido, na capacidade de oxigenação do sangue após a massagem.
Uma pesquisa
antiga verificou que a massagem consistindo do alisamento suave mas firme da
orelha do coelho na velocidade de 25 movimentos por minuto durante 5 minutos
causou uma elevação local na contagem de plaquetas sanguíneas.
Observou-se
também que uma massagem muscular em todo o corpo durante 20 minutos causa um efeito
dilucional e altera a fluidez do sangue. Quando estes efeitos são associados ao
aumento dos fluxos sangüíneos e linfáticos promovido pela massagem, pode-se
notar nitidamente que esta forma de tratamento tem um papel significativo a
desempenhar na manutenção e promoção da nutrição geral dos tecidos.
2.2.3 Efeitos no Metabolismo e Processo de
Cura
Os achados do
efeito da massagem geral no metabolismo e processo de cura do homem são:
• O débito
urinário fica aumentado, sobretudo após a massagem abdominal.
• A excreção de
ácidos não sofre alteração, e não há mudança no equilíbrio ácido-básico.
• As taxas de
excreção para o nitrogênio, fósforo inorgânico e cloreto de sódio são
aumentadas.
• Em pessoas
normais, não há um efeito imediato sobre o consumo basal de oxigênio, ou na
freqüência de pulso ou pressão sangüínea.
Em geral, os
estudos que foram levados a termo sugerem que influências amplas e gerais podem
ser exercidas pela massagem, e que não ocorre um efeito imediato ou importante
no metabolismo geral por si.
A resolução do
trauma agudo ou da inflamação crônica (processo de cicatrização) consiste em
uma cascata de alterações inter-relacionadas nos tecidos afetados. Estas
alterações dependem inteiramente da eficiência da circulação local até a parte
afetada, tendo em vista que todas as substâncias necessárias para a resolução
do processo inflamatório devem “chegar à cena” via corrente sangüínea. Além
disso, todos os produtos imprestáveis do metabolismo devem ser removidos da
área igualmente através do sangue e também dos canais linfáticos. Considerando
que a massagem tem efeitos tão profundos nos sistemas sangüíneo e linfático,
parece-nos evidente que esta prática pode ter utilidade na estimulação do
processo de cicatrização, tanto na fase aguda como na fase crônica da recuperação.
É importante
que nos lembremos da importância crucial do sistema linfático, na remoção das
proteínas plasmáticas e outras grandes moléculas, depois de ter sido
depositadas no líquido intersticial. Estas moléculas são demasiadamente grandes
para reingressar nos capilares, devendo ser eliminadas via linfáticos.
Portanto, a facilitação da cicatrização é o subproduto dos outros efeitos mais
diretos (por exemplo, aumento das circulações sangüínea e linfática) nos
tecidos.
2.2.4 Efeitos no Tecido Muscular
Considerando em
separado os efeitos da massagem no tecido muscular normal e anormal, temos:
Músculos
Normais
A massagem
produz um real aumento nas dimensões das estruturas musculares. O músculo se
torna mais firme e elástico sob esta influência. Há uma melhora a nutrição dos
músculos e, conseqüentemente, promove seu desenvolvimento.
A finalidade da
massagem muscular é a restauração do funcionamento da parte danificada. Tendo a
utilidade em tornar possível, por exemplo, que um músculo seja submetido a mais
exercício, desenvolvendo assim sua força, tratando da fatiga muscular.
A massagem
também pode causar relaxamento, que se expressa por um aumento no comprimento
dos músculos.
O termo “tono
muscular” é empregado freqüentemente na descrição da qualidade de um músculo
que está firme e “pronto para contrair”; contudo, os músculos em repouso não
demonstram atividade eletromiográfica e, portanto, um músculo que exibe tono
não pode estar em repouso: deve estar em um estado de mínima contração. Embora
algumas afirmativas na literatura impliquem que a massagem aumenta o tono
muscular, as evidências em favor desta colocação são inconclusivas, na melhor
das hipóteses. Contudo, teoricamente é de se esperar que vários movimentos de
massagem aumentem a atividade fusimotora de um músculo; qualquer dos movimentos
de percussão (cutiladas, pancadas, socamento), por exemplo, aumenta o disparo
dos fusos musculares e, portanto, a ação fusimotora. De fato, este é o
mecanismo pelo qual os movimentos de massagem facilitam a contração muscular.
Ele equivale à estimulação direta dos reflexos de estiramento no interior do
músculo estimulado.
Condições Patológicas do Músculo
A fibrose tende
a ocorrer em músculos imobilizados, lesionados ou desnervados. Um encurtamento
significativo dos componentes elásticos em paralelo e em série (contratura) é,
com freqüência, o resultado final. O músculo, como um todo, torna-se mais curto
que seu comprimento em repouso normal, principalmente porque o tecido fibroso
perde elasticidade, e formam-se aderências entre as camadas do tecido
conjuntivo.
Com o uso
cuidadoso das várias técnicas de massagem é possível aplicar tensão a este
tecido fibroso; o objetivo consiste em impedir a formação de aderências, e na
ruptura das pequenas aderências que já se formaram. As técnicas mais adequadas
para esta finalidade são as diversas formas de pétrissage e de fricção profunda. Quando complementadas por regimes
apropriados de exercícios e estiramento,
as técnicas de massagem são um componente essencial na restauração do
comprimento dos músculos e de seu funcionamento normal.
Músculo Lesionado
Um músculo
lesionado sem tratamento apresenta as seguintes características: (1) dissociação
das fibras musculares em fibrilas, o que ficou demonstrado pela estriação
longitudinal bem caracterizada; (2) hiperplasia (com freqüência, simples
espessamento) do tecido conjuntivo: (3) um aumento no número de núcleos no
tecido conjuntivo; (4) hemorragias intersticiais; (5) dilatação dos vasos
sangüíneos, com hiperplasia de seus revestimentos adventícios; e (6) habitual
mente um sarcolema intato (mas, em uma secção. a multiplicação dos núcleos deu
uma aparência que lembrava um pouco a miosite intersticial).
Em contraste,
os membros massageados apresentaram as seguintes características: (1) músculo
de aspecto normal; (2) sem faixas fibrosas secundárias separando as fibras musculares;
(3) ausência de espessamento fibroso em torno dos vasos; (4) maior volume
muscular geral: e (5) nenhum sinal de hemorragia.
Músculo
Desnervado
• A massagem
não aumenta diretamente a força do músculo normal: contudo, como meio para
atingir determinado fim, a massagem é mais efetiva que o repouso na promoção da
recuperação da fadiga causada pelo exercício excessivo. Portanto. teoricamente,
a massagem torna possível praticar mais exercício, o que, por sua vez, aumenta
a força resistência musculares. Esse é um fator importante no tratamento.
Parece lógico que a massagem seja administrada entre períodos de exercício,
quando o exercício é praticado com o objetivo de desenvolver a força e a
resistência musculares. Isso é particularmente relevante na medicina esportiva.
• Em termos
gerais. a massagem não aumenta o tono muscular, mas certas manipulações podem
ser aplicadas com o objetivo de facilitar a atividade muscular (sobretudo
técnicas de percussão).
• A massagem
pode reduzir a quantidade de fibrose que inevitavelmente ocorre no músculo
imobilizado, lesionado ou desnervado.
• A massagem
não impede a atrofia no músculo desnervado. Embora o músculo possa sofrer considerável
depleção, se a fibrose for mínima e se a circulação e a nutrição são
satisfatórias, um pequeno músculo poderá ter maior força que um músculo com
massa maior, se esta massa é resultante de um excessivo crescimento de tecido
fibroso, que interfere com seu funcionamento e com a recuperação das restantes
fibras musculares inervadas.
• O objetivo da
massagem no tratamento do músculo desnervado deve ser a manutenção dos músculos
no melhor estado possível de nutrição, flexibilidade e vitalidade, de modo que,
após a recuperação (caso isso seja possível) de um traumatismo ou enfermidade,
o músculo possa funcionar no seu limite máximo.
2.2.5 Efeitos nos Ossos e Articulações
No passado, a
massagem era amplamente utilizada no tratamento das fraturas, sendo então considerada
benéfica por ajudar no reparo das lesões dos tecidos moles ocorridas
concomitantemente. Não foi estabelecido se, na verdade, a massagem ajuda na
consolidação óssea. A opinião do Comitê de Fraturas do Colégio Americano de
Cirurgiões era que, no processo do reparo ósseo normal após a fratura, “a
eficácia e rapidez do crescimento do tecido dependem da circulação eficiente
nas partes... Portanto, todos os esforços devem ser envidados, desde o início,
no sentido de ajudar a eficiência da circulação”.
É difícil
também ver como estas técnicas podem ser aplicadas efetivamente sem causar
movimento aos fragmentos ósseos em um local fraturado: contudo, se o local
fraturado está estável, as técnicas de massagem podem ter muita utilidade.
Muitas das
estruturas que circundam as diversas articulações do corpo, como ligamentos,
bolsas, cápsulas e tendões, são, com freqüência, locais de problemas crônicos.
Em muitos casos de disfunção crônica, o tratamento objetiva a ruptura do tecido
cicatricial nestas estruturas e das aderências entre elas. Tradicionalmente, a
massagem por fricção profunda tem sido a técnica de escolha, visto que seu
vigoroso efeito mecânico no tecido cicatricial tem evidente utilidade na
restauração da amplitude de movimentos normais e indolores em uma articulação afetada.
2.2.6 Efeitos no Sistema Nervoso
As respostas à massagem e seus efeitos sobre o sistema nervoso são
principalmente reflexas.
Em poucas palavras, o sistema nervoso é dividido em sistema nervoso
central (SNC), que consiste em cérebro e medula espinal e seus revestimentos, e
sistema nervoso periférico, que consiste em nervos e gânglios. O sistema
nervoso periférico é dividido ainda nas divisões autônoma e somática. A divisão
autônoma é subdividida nos sistemas simpático e parassimpático. O SNA simpático
é responsável por funções que consomem energia em resposta a situações de
emergência. A divisão parassimpática é mais restauradora e normalizadora e
devolve o corpo a um estado de não-alarme. A divisão somática do sistema
nervoso periférico é composta da inervação periférica de fibras nervosas da
parede do corpo (por exemplo, músculos, articulações e outras estruturas).
O sistema nervoso responde aos métodos de massagem terapêutica por meio
da estimulação dos receptores sensoriais. A estimulação sensorial da massagem
interrompe um padrão existente nos centros de controle do SNC, resultando numa
mudança de impulsos motores, com mais freqüência no sistema nervoso periférico,
que restabelece a homeostase. Em geral, a divisão somática e a autônoma do
sistema nervoso periférico são influenciadas quando o equilíbrio é restaurado.
Interações Neuroendócrinas
Para compreender os benefícios da massagem, tal como são definidos na
pesquisa mais atual, é importante entender as funções de algumas das substâncias
químicas neuroendócrinas.
O sistema endócrino é regulado através da influência do sistema
nervoso, e o sistema endócrino, por sua vez, influencia o sistema nervoso. É um
circuito de feedback, semelhante a um termostato numa fornalha. O sistema de
feedback e auto-regulação (manutenção da homeostase interna) são interligados
com todas as funções do corpo. Os controles para iniciação de uma reação chegam
através do sistema nervoso e do sistema endócrino. As substâncias químicas
neuroendócrinas são os transmissores de comunicação desses sistemas de
controle. Uma substância química neuroendócrina na sinapse do nervo é chamada
de neurotransmissor. Uma substância neuroendócrina carregada na corrente
sangüínea é chamada de hormônio. Neuropeptídeo também é um termo usado para
descrever essas substâncias.
As substâncias neuroendócrinas carregam mensagens que regulam as
funções fisiológicas. A regulação neuroendócrina é uma mistura química contínua
e em constante mutação, que flutua com cada exigência interna e externa para o
corpo responder, se adaptar ou manter um grau funcional de homeostase. O
sistema imunológico também produz e responde a essas substâncias de comunicação.
As substâncias que compõem essa “sopa química” permanecem as mesmas, mas a
proporção e razão mudam com cada função reguladora ou transmissão de mensagem.
O “tempero” da sopa, que é determinado pela razão da mistura química, afeta
fatores tais como o humor, a atenção, a excitação, a passividade, a vigilância,
a calma, a capacidade de dormir, a receptividade ao toque, a resposta ao toque,
a raiva, o pessimismo, o otimismo, a ligação com outros, o isolamento, a
depressão, o desejo, a fome, o amor e o compromisso.
Pesquisas atuais indicam que a maioria dos problemas no comportamento,
humor e percepção de estresse e dor, bem como outras desordens chamadas de
mentais/emocionais, são causadas pela desregulação ou falta das substâncias
bioquímicas. Muitas vezes, esses comportamentos, sintomas e estados emocionais
e físicos são misturas químicas normais que ocorrem em momentos impróprios. Por
exemplo, a ansiedade indicada por estresse não-resolvido e aumentado é uma sopa
química apropriada para se ter no fogo numa situação de refém, posto que a
hipervigilância que acompanha esses estados pode possibilitar que o refém veja
uma oportunidade para escapar. Entretanto, essa mesma sopa borbulhando no
shopping center durante as compras de feriado não é produtiva.
Primeiras pesquisas sobre endorfina. Em 1969, pesquisadores observaram
que a dor poderia ser eliminada em ratos sem o uso de anestesia, estimulando-se
a massa cinzenta periaquedutal no tronco cerebral. Pouco tempo depois, outras
descobertas importantes confirmaram isso. O dedicado trabalho da Dra. Candice
Pert e outros levou à descoberta dos sistemas endógenos inibidores da dor
(feitos no corpo) da endorfina e não-endorfina do SNC. O corpo produz vários
compostos endógenos semelhantes a narcóticos, inclusive a encefalina e as
beta-endorfinas (beta-endorfina é um fragmento do hormônio pituitário beta-lipotropina).
Esses peptídeos se ligam a receptores opiatos (como faz a morfina) e, na
maioria dos casos, aliviam a dor, especialmente a dor crônica, e produzem
euforia. Essa descoberta dá suporte à validade da acupuntura.
A acupressão usa compressão específica de precisão sobre 6 pontos.
Alguns indícios levam a crer que a acupuntura exerce seu efeito analgésico,
causando a liberação de encefalinas, e se diz que a analgesia é bloqueada pelo
antagonista da morfina, o naloxone. Além disso, parece que um componente da
analgesia de estresse surge dos opiatos endógenos, porque em animais de
experiência algumas formas de analgesia de estresse foram bloqueadas pelo
naloxone.
A acupuntura e a acupressão parecem funcionar aproveitando-se das
influências inibidoras naturais do corpo, que em geral podem bloquear os
caminhos da dor. Por exemplo, foi estabelecido que as fibras sensitivas de dor
liberam um neurotransmissor chamado de substância P que aumenta a transmissão
dos impulsos de dor. A encefalina bloqueia a liberação da substância P e, desse
modo, inibe a transmissão da dor ao cérebro. Os efeitos desse e de outros
neurotransmissores liberados durante a massagem podem explicar e validar o uso
de métodos de estimulação sensorial para o tratamento de dor crônica, da ansiedade
e da depressão.
O efeito da acupuntura ou da acupressão é retardado até que o nível de
encefalina aumente a níveis inibidores. Em geral, leva cerca de quinze minutos
para começar a aumentar o nível de encefalina no sangue. A implicação para a
massagem é que os efeitos inibidores da dor não ocorrem de imediato. Os
práticos de massagem devem ter isso em mente em relação à intensidade e duração
das aplicações quando trabalharem. De maneira semelhante, o efeito da
acupuntura se prolonga depois que pára a rotação ou vibração das agulhas. Em
relação à massagem, o cliente deve experimentar um efeito prolongado que, em
geral, dura cerca de 48 hora’s.
A Influência da Massagem nas
Substâncias Neuroendócrinas
Muito da pesquisa sobre massagem, em especial aquela realizada no Touch
Research Institute, gira em torno das mudanças na proporção e razão da
composição da “sopa química” do corpo causadas pela massagem.
Algumas das principais substâncias químicas neuroendócrinas
influenciadas pela massagem são as seguintes:
Dopamina
Serotonina
Epinefrina/adrenalina
Norepinefrina/noradrenalina
Encefalinas/endorfinas
Ocitocina
Cortisol
Hormônio do crescimento
Dopamina. A dopamina influencia a atividade motora que envolve o
movimento (em especial o movimento delicado aprendido, como o de escrever à
mão), a seleção consciente (a capacidade de concentrar a atenção) e o humor em
termos de inspiração, intuição de possibilidade, alegria e entusiasmo. Baixos
níveis de dopamina resultam nos efeitos opostos, tais como falta de controle
motor, falta de jeito, incapacidade de concentrar a atenção e tédio. Parece que
a massagem aumenta o nível de dopamina disponível no corpo.
Serotonina. A serotonina permite que uma pessoa mantenha um
comportamento adequado ao contexto; isto é, fazer a coisa apropriada no momento
apropriado. Ela regula o humor em termos de emoções convenientes, atenção a
pensamentos e efeitos calmantes, tranqüilizantes e confortantes; também reduz a
irritabilidade e regula estados de ímpeto, de modo que podemos reprimir a ânsia
de falar, tocar e ser envolvidos em lutas pelo poder. Por exemplo, quando
alguém lhe diz para “se controlar”, está dizendo que você poderia usar uma boa
dose de serotonina. A serotonina também envolve a saciedade; níveis adequados
reduzem a sensação de fome e ânsia, como a de comida e sexo. Também modula o
ciclo de sono/vigília. Um baixo nível de serotonina tem implicação na de
pressão, distúrbios alimentares, problemas de dor e desordens
obsessivo-compulsivas. Tudo indica que a massagem aumenta o nível disponível de
serotonina.
Epinefrina/adrenalina e norepinefrina/noradrenalina. Os termos
epinefrina/adrenalina e norepinefrina/noradrenalina são usados de maneira
intercambiável em textos científicos. A epinefrina ativa mecanismos de
excitação no corpo, ao passo que a norepinefrina funciona mais no cérebro. Elas
são as substâncias químicas da ativação, excitação, do alerta e do alarme, na
resposta de luta ou fuga e em todos os comportamentos e funções de excitação
simpática. Se os níveis dessas substâncias químicas estão altos demais, ou se
elas são liberadas num momento impróprio, a pessoa acha que alguma coisa muito
importante está exigindo sua atenção ou reage com os impulsos básicos de
sobrevivência de luta ou fuga (hipervigilância e hiperatividade). A pessoa pode
ter um padrão de sono perturbado, em particular uma falta de sono REM
(movimento rápido de olho), que é o sono restaurador. Com baixos níveis de
epinefrina e norepinefrina, o indivíduo fica moroso, sonolento, fatigado e
subestimulado.
Ao que parece, a massagem tem um efeito regulador sobre a epinefrina e
a norepinefrina por meio da estimulação ou inibição do sistema nervoso
simpático ou da estimulação ou inibição do sistema nervoso parassimpático. Essa
função da massagem de equilíbrio generalizado parece recalibrar os níveis
apropriados de adrenalina e noradrenalina. Dependendo da resposta do SNA, a
massagem pode despertar uma pessoa com facilidade e aliviar a fadiga, como
consegue acalmar uma outra que está furiosa e andando de um lado para o outro.
Deve-se observar que inicialmente o toque estimula o sistema nervoso simpático,
ao passo que demora quinze minutos, em média, com uma estimulação sustentada
para começar a engajar as funções parassimpáticas. Assim, faz sentido que uma
massagem de cadeira de quinze minutos tenda a aumentar a produção de epinefrina
e norepinefrina, o que pode ajudar os trabalhadores de empresa a ficarem mais
atentos, enquanto que uma hora de massagem lenta e rítmica ativa as funções
parassimpáticas, reduzindo os níveis de epinefrina norepinefrina, encorajando
uma boa noite de sono.
Encefalinas/endorfinas. As encefalinas e endorfínas são
levantadores de ânimo que dão suporte à saciedade e modulam a dor. A massagem
aumenta os níveis disponíveis de encefalinas e endorfinas.
Ocitocina. A ocitocina é um hormônio que pode ser associado à
relação de par ou casal, na ligação dos pais, nos sentimentos de atração e de
tomar conta, junto com suas funções mais clínicas durante a gravidez e a
lactação. A massagem tende a aumentar o nível disponível de ocitocina, o que
poderia explicar o sentimento conectado e de intimidade da massagem.
Cortisol. O cortisol e outros glucocorticóides são hormônios de
estresse produzidos pelas glândulas supra-renais durante estresse prolongado.
Níveis elevados desse hormônio indicam aumento de estimulação simpática. O
cortisol e outros glucocorticóides têm sido relacionados a muitos sintomas e
doenças associadas ao estresse, inclusive estados de imunidade suprimida,
perturbações do sono e aumentos no nível da substância P. Foi demonstrado que a
massagem reduz os níveis de cortisol e da substância P.
Hormônio do crescimento. O hormônio do crescimento promove a
divisão celular e, em adultos, tem sido implicado nas funções de regeneração e
reparação de tecido. Esse hormônio é necessário para curar e é mais ativo
durante o sono. A massagem dinamiza, de maneira indireta, a disponibilidade do
hormônio do crescimento, encorajando o sono e reduzindo o nível de cortisol.
Influências neuroendócrinas combinadas. A massagem aumenta os
níveis no sangue de serotonina, dopamina e endorfinas, o que, conseqüentemente,
facilita a produção das células killer naturais no sistema imunológico. Essa
resposta indica que seria benéfico incluir a massagem como parte de um programa
de tratamento total para estados viróticos e algumas formas de câncer. A
ocitocina tende a melhorar os sentimentos de suporte da associação. Ao mesmo
tempo, a massagem reduz o cortisol e regula a epinefrina e a norepinefrina, o
que facilita a ação do hormônio do crescimento.
É fácil ver por que a massagem é benéfica para tantos problemas e
influencia indiretamente muitas outras. Considere os seguintes exemplos:
• Uma pessoa solitária e deprimida se sente mais animada depois da
massagem (aumento de serotonina e ocitocina; diminuição de cortisol).
• Uma criança com deficiência de atenção e distúrbio de hiperatividade
(DADH) pode fazer seu dever de casa de pois de quinze minutos de massagem
(aumento de dopamina e noradrenalina).
• Alguém que sofre de dor crônica funciona melhor de pois de uma
massagem (aumento de endorfina, serotonina e ocitocina).
• Um fumante que esteja tentando parar de fumar pode evitar a ânsia por
um cigarro após uma sessão de massagem (aumento de noradrenalina, serotonina e
endorfina).
• Uma pessoa que foi submetida a cirurgia tem cura mais rápida com
massagem (diminuição de cortisol e adrenalina; aumento de sono restaurador
através da redução da dor; aumento de endorfina e serotonina, resultando em
maior disponibilidade de hormônio do crescimento).
• Um indivíduo infectado com o vírus da deficiência imunológica humana
(HIV) pode ter uma resposta imunológica mais forte depois da massagem (aumento
de serotonina, dopamina e endorfina, diminuição de cortisol).
• Um casal tende a relacionar-se melhor com o filho recém-nascido
depois de aprender a fazer massagem no bebê (aumento de serotonina e ocitocina;
diminuição de cortisol).
• As pessoas simplesmente se sentem melhor, suportam a vida com mais
facilidade e têm mais alegria quando são massageadas (processos químicos
neuroendócrinos dão origem a níveis mais elevados de pensamento integrado, como
crenças e valores, interpretar contexto e sentido, formar intuição, fazer
planos e prever, escolher e levar a cabo os sonhos).
Influências Autônomas
Os efeitos da massagem podem ser processados através do SNA. Esses
efeitos, que são sobretudo reflexos, são:
Ativação simpática e estresse
Padrões parassimpáticos e recolhimento para conservação
Entrainment (ritmo cardíaco)
Efeito corpo / mente
Enrijecimento / endurecimento
Efeito placebo
O Sistema Nervoso Autônomo
O SNA é mais conhecido por sua regulação da resposta simpática de
“luta/fuga/medo” e da resposta parassimpática de “relaxamento e restauradora”.
Os sistemas simpático e parassimpático funcionam juntos para manter a
homeostase através de um sistema de circuito de feedback. Ambos afetam e são
afetados pelas glândulas endócrinas. Padrões específicos de músculos são
associados aos dois sistemas. Músculos do braço e da perna podem ficar
contraídos com resposta simpática e músculos posturais contraídos com resposta
parassimpática.
Excessiva produção simpática causa a maioria das doenças relacionadas
ao estresse que os médicos vêem. Exemplos dessas doenças incluem dores de
cabeça, dificuldades gastrointestinais, pressão sangüínea alta, ansiedade,
dores, tensão muscular e disfunção sexual.
O SNA é regulado por vários centros no cérebro, em particular no córtex
cerebral, no hipotálamo e na medula oblonga. O hipotálamo controla, em grande
parte, o SNA. Ele recebe impulsos das fibras sensórias viscerais (órgão) e de
algumas fibras sensórias somáticas (músculo e articulação). O hipotálamo
desempenha um papel importante na conexão corpo/mente. É um dos principais
componentes do sistema límbico.
O sistema límbico é um grupo de estruturas do cérebro, ativadas por
excitação e comportamento emocional, que influencia os sistemas endócrino e
autônomo. As respostas límbicas são refletidas numa alteração geral do humor e
em sentimentos de bem-estar ou angústia. Uma propriedade dos circuitos neurais
límbicos é sua prolongada pós-descarga que segue uma estimulação; isso pode
explicar por que, em geral, as respostas emocionais são prolongadas e duram
mais tempo do que os estímulos que lhes deram início.
Pesquisas indicam que o cerebelo, a dor límbica e os centros de prazer,
bem como os vários centros de retransmissão, são parte de um circuito. O
cerebelo controla tanto os movimentos conscientes como subconscientes do
músculo esquelético, o input dos proprioceptores, os circuitos de feedback, a
postura, o posicionamento futuro e as sensações de raiva e prazer.
Ativação Simpática e Estresse
Hans Selve chamou as respostas do corpo ao estresse de síndrome de
adaptação geral, que, segundo sugeriu, pode ser dividida em três estágios: e o
primeiro estágio é a reação de alarme, também chamada de resposta de luta ou
figa, que é a reação inicial do corpo ao estressor percebido.
• O segundo estágio é a reação
de resistência que, por meio
da secreção de hormônios reguladores, permite que o
corpo continue lutando contra um estressor muito
tempo depois que se dissiparam os efeitos da reação de
alarme.
• O terceiro estágio é a reação
de exaustão que ocorre se a
resposta ao estresse continua sem alívio.
As respostas da síndrome de adaptação geral de Selve são chamadas,
normalmente, de ativações simpáticas. A ativação do sistema nervoso simpático
resulta, em geral, em sensações que as pessoas chamam de estresse. O estresse
excessivo pode causar fadiga em todo o corpo.
O que vem primeiro, a emoção ou a liberação de hormônios? A ciência
descobriu que isso é muito parecido com o problema do ovo e da galinha. Intensa
emoção, como medo, raiva e ansiedade, desempenham um papel na ativação da
resposta de luta ou fuga. Os hormônios epinefrina e norepinefrina são liberados
em resposta à estimulação, e começa a reação de alarme, que dura de 15 a 30
minutos. Quando ocorre essa resposta de luta ou fuga, a pressão sangüínea
aumenta, os músculos contraem-se, a digestão e eliminação são suprimidas, mudam
os padrões de circulação e o glicogênio é mobilizado.
O estresse de longo prazo (isto é, o estresse que não pode ser
resolvido por fuga ou luta) também pode disparar a liberação de cortisol, uma
cortisona produzida pelo corpo. Níveis altos de cortisol no sangue a longo
prazo causam efeitos colaterais semelhantes àqueles da droga cortisona,
inclusive retenção de líquido, hipertensão, fraqueza muscular, osteoporose,
esgotamento do tecido conectivo, úlcera péptica, cura de ferimento agravada,
vertigem, dor de cabeça, capacidade reduzida para lidar com o estresse,
hipersensibilidade, ganho de peso, náusea, fadiga e perturbações psíquicas.
Quando o corpo não consegue mais tolerar os efeitos do estresse, começa
a fase de exaustão. No estresse simpático de longo prazo, a tensão aumenta até
que o corpo basicamente se esgota. Tendem a se desenvolver problemas
cardiovasculares, respiratórios e gastrointestinais. O corpo começa a sucumbir.
Em nossa sociedade, a maioria de nós não luta ou foge fisicamente dos
estressores, embora as reações químicas que comandam essas ações possam ser
ativadas várias vezes por dia. Então, o que acontece com as substâncias
químicas? Cada um de nós encontra o próprio jeito de dissipá-las, como gritar
com nossa família ou dirigir de maneira agressiva. A grande maioria, porém,
gostaria de encontrar meios mais apropriados de liberar as substâncias
químicas. Os exercícios moderados são uma das melhores formas de se desfazer
das substâncias químicas de luta ou fuga.
Estudos feitos com massagem nas costas com batidas lentas sugerem uma
complexa interação entre os elementos autônomos, somáticos, emocionais e
cognitivos em resposta à massagem. Os resultados indicam que bater nas costas
com batidas longas e lentas causa inibição reflexa do músculo estriado. Se a massagem
continua por pelo menos seis minutos, a massagem nas costas com batidas lentas
diminui a excitação autônoma. O efeito a longo prazo da massagem nas costas com
batidas lentas é uma diminuição na excitação psico-emocional e somática.
Expressado em termos simples esse tipo de massagem acalma as pessoas.
Padrões Parassimpáticos e Isolamento para Conservação
Como os padrões parassimpáticos são restauradores, a atividade física é
reduzida e a digestão e eliminação aumentam. Paz e calma são resultados da influência
parassimpática. Quando ficamos fatigados, essas funções sinalizam para o corpo
descansar. A síndrome de fadiga crônica é um bom exemplo de uma reação
parassimpática ao estresse. Uma depressão mais drástica pode manifestar-se com
disfunção parassimpática.
Isolamento para conservação é um outro fator a ser considerado numa
discussão dos padrões parassimpáticos. Em animais, o recolhimento para
conservação é semelhante ao “fingir-se de doente” ou hibernação; nos seres
humanos pode surgir como resultado de intensas experiências negativas, como
abuso, negligência ou inanição. Num nível menor, padrões de isolamento para
conservação desempenham um papel na depressão.
Uma massagem que seja mais estimulante pode ajudar a tirar um cliente
de padrões de isolamento. Todas as sensações, inclusive o toque, estimulam
inicialmente, quer sejam recebidas através de processos visuais, auditivos ou
cinestéticos. A estimulação que é rápida e inesperada atiça. Mais comumente, a
massagem encoraja a ativação parassimpática para responder aos efeitos da
superexcitação simpática.
Entrainment
O entrainment é um importante efeito reflexo que parece ser processado
através do SNA.
Entram significa “arrastar com”. Entrainment é a coordenação do ritmo
ou a sincronização com um ritmo. No corpo, os osciladores biológicos, como o
coração e o tálamo, estabelecem o padrão de ritmo. Pesquisas feitas no Institute
of Heart-Math e em outros lugares indicam que o ritmo do coração tende a ser o
guia para outros ritmos do corpo. A sincronização dos batimentos
cardíacos/ritmo respiratório/tálamo combina da ajuda no processo de entrainment
seguindo-se os outros ritmos do corpo mais sutis. A sincronização do ritmo de
nosso coração, da respiração e da digestão promove esse equilíbrio, ou
homeostase, para dar suporte a um corpo saudável. Um equilíbrio entre as
divisões simpáticas e parassimpáticas do SNA influencia o nódulo sinusal do
coração e os sistemas vasculares que, por sua vez, modulam o batimento cardíaco
e a pressão sangüínea. Nossos reflexos nasais, estimulados pelo movimento do ar
através do nariz, interagem ritmicamente com o coração, os pulmões e o
diafragma. Desse modo, o corpo inteiro é afetado porque os ritmos biológicos
são interligados.
O SNC inclui um ritmo conhecido como impulso craniossacral, que pode
ser observado e apalpado. No momento estão sendo pesquisados os efeitos do
trabalho corporal nesse ritmo específico, mas métodos de entrainment que
sincronizam os movimentos e ritmos do corpo recebem o crédito por proporcionar
maior benefício.
O corpo também acompanha ritmos externos. Qual quer atividade que usa
um som ou movimento repetitivo acalma ou excita o sistema nervoso (dependendo
da velocidade e andamento do ritmo) através do entrainment e, desse modo,
altera o processo fisiológico do corpo. Às vezes, os ritmos do corpo são
interrompidos. A música com desarmonia e dissonância pode ser disruptiva, como
também múltiplos ritmos fora de sincronia no mesmo ambiente, como num shopping
center com luzes intermitentes, muitos tipos de música sendo tocados a um só
tempo e o zumbido de máquinas. Muitas vezes, as pessoas ficam fatigadas ou
mal-humoradas nesses ambientes desarmônicos.
O corpo tem muita facilidade para acompanhar ritmos naturais, como os
sons do murmúrio de um córrego, as ondas do mar ou o farfalhar de folhas ao
vento. Estudos demonstraram que os padrões rítmicos fisiológicos da respiração
ou batimento cardíaco de um cão ou gato podem ser benéficos para os idosos. A
música com uma batida regular de 44 a 60 batidas por minuto ou menos tende a
ordenar os ritmos e acalmar o corpo. Um andamento mais rápido do que 60 batidas
por minuto parece excitar fisiologicamente, mas se o ritmo é uniforme, o corpo
pode atingir um estado de alerta concentrado. Muitas formas de música clássica
proporcionam ricos ritmos de entrainment. A musicoterapia é uma das principais
fontes da pesquisa sobre entrainment. A música é um acréscimo comum à massagem
e proporciona um ritmo externo de entrainment para o profissional e o cliente.
Quando uma pessoa experimenta estados emocionais positivos, os ritmos
biológicos tendem naturalmente a começar a oscilar juntos ou a se acompanhar.
Os processos de entrainment do corpo também podem ser acentuados por técnicas
que mudam nossa consciência para os padrões de nossa respiração e batimento
cardíaco. A maioria dos processos de meditação ou métodos de relaxa mento cria
um ambiente para o entrainment ao reduzir as influências externas e se
concentrar em ritmos internos, como a respiração. Muitas disciplinas acalmam a
mente e o corpo durante a meditação; a ioga, por exemplo, leva a atenção para a
respiração, ao passo que o Qigong concentra-se no ponto abaixo do umbigo. Esses
sistemas focalizam a atenção em áreas do corpo como conhecidos osciladores
biológicos. A localização do sistema de chakra se correlaciona com osciladores
biológicos. Os padrões rítmicos do cantar, dos cânticos e movimentos de nossas
religiões e rituais sociais interagem com padrões biológicos, resultando numa
organização calmante ou excitante ou na interrupção dos ritmos do corpo.
Serão necessários muitos anos de pesquisa antes que possamos
compreender a magnitude das influências que afetam os ritmos de nosso corpo. A
pesquisa atual se concentra na possibilidade de que os processos de doença
possam resultar das interrupções nos ritmos do corpo e nos efeitos do ambiente
de trabalho que perturbam ou alteram diretamente os ritmos naturais do corpo.
A influência da massagem sobre o entrainment. Para encorajar o
entrainment, a massagem é feita de uma maneira tranqüila e rítmica. A aplicação
rítmica da massagem, a proximidade do ritmo respiratório, e o batimento
cardíaco centrado e compassivo do profissional podem ajudar o entrainment
restaurador se os ritmos do corpo es tiverem fora de sincronia. O profissional centrado
e enfocado introduz seus próprios ritmos ordenados como parte do ambiente; eles
servem como uma influência externa adicional que possibilita que os ritmos do
corpo do cliente se sincronizem. Quando a sincronização ocorre, parece que os
mecanismos de homeostase funcionam de maneira mais eficiente.
O Efeito Corpo/Mente
A associação do SNA é onde a ligação corpo/mente é melhor compreendida.
Um estado alterado de consciência é qualquer estado de consciência que difere
da consciência normal de uma pessoa consciente. Estados alterados de
consciência são um fator nas interações de corpo/mente. A consciência pode ser
alterada de muitas maneiras; por exemplo, por meio de medicações ou alimentos
que mudam processos químicos, através de sons ou atividades repetitivas
(entrainment) e por um estado de transe. Durante séculos, muitas culturas e
religiões exploraram esta dos alterados de consciência e os usaram prontamente
em ações defensivas, em cura e no controle da dor. A meditação, o tal chi e a
ioga são exemplos de antigos métodos usados para atingir estados alterados de
consciência. Nós podemos chegar a um resultado semelhante praticando
jardinagem, desenhando, tricotando ou tocando um instrumento musical.
Tanto o profissional como o cliente podem entrar num estado alterado de
consciência durante uma sessão de trabalho de corpo. Depois que o estado
alterado for atingido, ele deve ser mantido por pelo menos quinze minutos para
se obter um benefício mais terapêutico.
Memória dependente de estado. Um outro aspecto da ligação corpo/mente
que interage com o SNA é a memória dependente de estado. O disparo de um padrão
de movimento ou uma sensação de pressão específica causada por trauma ou hábito
aprendido é suficiente, ás vezes, para possibilitar que o indivíduo atinja um
estado alterado de consciência. Isso resulta numa segunda liberação dos códigos
químicos das emoções envolvidas. O input emocional se registra no corpo através
do SNA e do sistema endócrino. Como já foi descrito antes, um fator químico
definido está envolvido na excitação das emoções baseadas na produção do corpo
de endorfinas, encefalinas, epinefrina, norepinefrina, outros hormônios e
neurotransmissores. Se essas substâncias químicas são liberadas na corrente
sangüínea durante o trabalho corporal, o indivíduo pode sentir mais uma vez a
excitação química de uma emoção, talvez disparando uma lembrança.
Os hormônios supra-renais que interagem com as respostas simpáticas
estão intimamente envolvidos com a memória de curto prazo. A depleção de
norepinefrina reduz a armazenagem de memória, e a elevação a aumenta. O
“estado” na memória dependente dele é uma função simpática ou do sistema
nervoso parassimpático junto com uma mistura química neuroendócrina única. Se
uma pessoa tem uma experiência enquanto está num desses estados, a memória é
codificada (armazenada nesse estado). Pesquisas mostram que a memória só é
acessível a um indivíduo quando a função e a química do corpo específica são
semelhantes àquelas experiências que ele já tenha vivido.
Devido aos seus efeitos sobre o SNA, a massagem pode estimular esses
padrões de memória dependentes de estado. Isso pode ser útil para permitir que
o cliente resolva uma experiência passada que não pôde ser resolvida quando
ocorreu. Muitas vezes é necessário o aconselhamento para ajudar a pessoa a
selecionar o padrão de memória e desenvolver estratégias para resolução,
integração e enfrentamento. Embora essas atividades estejam fora do âmbito de
prática da massagem terapêutica, a massagem, combinada com aconselhamento eficiente
feito por profissionais treinados, pode ser uma parte muito benéfica de um
plano de tratamento global. No momento, estão em andamento excitantes pesquisas
sobre aprendizado dependente de estado em padrões de função simpática ou
parassimpática.
Enrijecimento /Endurecimento
A reação autônoma á massagem pode ser explicada por um conceito
conhecido como enrijecimento ou endurecimento. Enrijecimento /endurecimento é a
reação á exposição repetida a estímulos que fazem surgir respostas de
excitação. A apresentação planejada de estímulos ensina o corpo a lidar com
mais eficiência com as respostas simpáticas de estresse. Foi descoberto que
formas de enrijecimento /endurecimento passivo, como a exposição repetida a
choque de frio, aumentam a tolerância do indivíduo ao estresse. Durante a
exposição ao frio, são liberados na corrente sangüínea dois hormônios da medula
supra-renal, a epinefrina e a norepinefrina.
Embora a massagem não seja tão severa quanto o choque de frio, o
aumento do funcionamento autônomo e sua natureza passiva podem ser
caracterizados como uma forma de enrijecimento /endurecimento passivo. Tal como
ocorre com o exercício, os métodos de massagem que exigem a participação do
cliente ajudam a dissipar os hormônios simpáticos de estresse (resposta simpato
adrenal), permitindo que o sistema restabeleça a homeostase (Exercício de
Proficiência 4-3.
O Efeito Placebo
Através da história, as pessoas souberam que o tratamento em si
influencia o curso de uma doença, mesmo que não seja específico. É provável que
esse efeito placebo tenha como causa vários mecanismos, sendo que a maioria
deles ainda não é compreendida com clareza. O ambiente, atitudes e sugestões da
pessoa que está dando o placebo e a confiança do paciente em sua eficiência
agem juntos para produzir um efeito placebo. Alguns estudos informaram uma taxa
de sucesso de 70% a 90% no uso de placebos. A atenção gentil e cuidadosa,
enfocada no cliente durante a massagem terapêutica, pode operar com o poderoso
efeito placebo.
A Influência da Massagem sobre o SNA
Em decorrência de seu efeito generalizado sobre o SNA e funções
associadas, a massagem pode causar mudanças no humor e nos níveis de excitação,
podendo induzir a resposta relaxante /restauradora. Parece que a massagem é um
modulador brando, produzindo sentimentos de conforto e bem-estar geral.
Entretanto, nem sempre isso significa que o cliente responde à massagem ficando
muito relaxado. A resposta mais comum é uma sensação de que “o momento crítico
já passou”, ou um estado emocional menos urgente ou intenso.
O cliente pode ser mais capaz de funcionar de uma maneira
auto-reguladora, controlando o estado emocional em vez de ser controlado por
ele. Essa capacidade de auto- regular é muito importante no processo
fisiológico. Um outro nome para a auto-regulação é controle interno. Nós
tendemos a nos sentir mais à vontade quando temos uma sensação de controle
interno.
Inicialmente, a massagem estimula as funções simpáticas. Isso, de fato,
surpreende os estudantes que acham que estão aplicando uma massagem relaxante.
O aumento nas funções autônomas é seguido por uma redução se a massagem é
diminuída ou encerrada. Para encorajar mais uma resposta simpática, são úteis
as técnicas de energia muscular. A compressão é um estilo de massagem em ritmo rápido,
semelhante à massagem pré- evento esportivo. Estimula respostas simpáticas e
pode suspender a depressão temporariamente.
Batida repetida, compressão de base ampla ou movimento iniciam
respostas de relaxamento. É o velho truque de indução de hipnose do “siga o
relógio”. O trabalho de corpo rítmico cria um efeito parecido com o transe.
Nesse momento, as pessoas ficam muito abertas a sugestões, e o terapeuta deve
estar atento a qualquer tipo de sugestão ou de discussão orientadora.
Técnicas simples de energia de músculo ativa podem substituir alguns
exercícios, dissipar o estresse simpático e ajudar a aliviar a depressão.
Pressionar o ponto, como a acupressão ou a reflexologia, e a inserção
seca de agulha da acupuntura liberam os analgésicos do próprio corpo e as
substâncias químicas de toda a classe da endorfina, que alteram o humor. Essas
substâncias químicas estimulam respostas parassimpáticas de relaxamento,
restauração e contenta mento.
A acupressão causa inibição simpática. Esses métodos de massagem dependem
da criação de uma dor moderada e controlada para que possa ser aliviada. É
preciso um estímulo de estresse ou dor maior do que a percepção da dor
existente, para gerar a resposta de endorfina. Quando a liberação da substância
P dispara a dor, encefalinas são liberadas, o que anula o sinal da dor. Um
sistema de feedback negativo ativa a liberação de serotonina e opiatos, o que
inibe a dor. Métodos de massagem terapêutica podem ser usados para criar uma
estimulação nociva controlada (dor) que dispara esse ciclo. Muitas vezes, os
clientes se referem a essa estimulação nociva como dor boa.
Respirar é uma maneira poderosa de interagir com o SNA. A respiração
torácica e a hiperventilação são componentes comuns da estimulação simpática
aumentada. Para o corpo lidar com o estresse, os padrões musculares da
respiração precisam ser normalizados. A maioria dos padrões de respiração de
meditação, o ato de cantar e de entoar cânticos são maneiras de normalizar
esses padrões através do entrainment. Alterar os músculos de modo que fiquem
mais ou menos tensos ou mudar a consistência do tecido conectivo afeta o SNA
por um circuito de feedback, o que, por sua vez, afeta o poderoso fenômeno
corpo/mente.
Analgesia por Hiperestimulação
Em 1965, Melzack e Wall propuseram a teoria do controle da comporta. De
acordo com essa teoria, um mecanismo de comporta funciona ao nível da medula
espinal; isto é, impulsos de dor passam através de uma “comporta” para alcançar
o sistema espinotalâmico lateral. Impulsos dolorosos são transmitidos por
fibras nervosas de grande e de pequeno diâmetro. A estimulação de fibras de
grande diâmetro impede as de pequeno diâmetro de transmitir sinais. A
estimulação (por exemplo, esfregar, massagear) de fibras de grande diâmetro
ajuda a suprimir a sensação de dor, especialmente da dor aguda.
A pele de todo o corpo é suprida por nervos espinais que carregam
impulsos sensórios somáticos à medula espinal. Cada nervo espinal serve a um
segmento específico da pele, chamado de dermátomo. Os dermátomos, passíveis de
ser afetados por técnicas de massagem que estimulam a pele, seriam responsáveis
pela analgesia por hiperestimulação.
A estimulação tátil produzida por massagem viaja através das fibras de
grande diâmetro. Essas fibras também carregam um sinal mais rápido. Em
essência, as sensações da massagem ganham a corrida até o cérebro, e as
sensações de dor são bloqueadas porque a comporta está fechada.
Contra-Irritação
O Dicionário Médico Enciclopédico Taber (Ed. Manole) define
contra-irritação como a irritação superficial que alivia alguma irritação de
estruturas mais profundas. Pode ser explicada pela teoria do controle da
comporta. A inibição em caminhos sensórios centrais, produzida pelo esfregar ou
sacudir de uma área, seria uma justificativa para a contra-irritação. Estímulos
nocivos suprimem estímulos nociceptivos (dor). Mudar a percepção da dor pela
introdução de um sinal de dor diferente é parecido com pisar no pé de uma
pessoa para aliviar a dor no polegar que acabou de ser atingido por um martelo.
A inibição em caminhos sensórios centrais pode explicar o efeito de
contra-irritantes. A estimulação da pele acima de uma área de dor ou disfunção
produz um certo alivio. O antiquado emplastro de mostarda atua segundo esse
princípio, e vários cremes e pastas para friccionar, do mercado, também
funcionam dessa maneira.
A massagem e a produção de contra-irritação. Todos os métodos de
massagem podem ser usados para produzir contra-irritação. Muitas pessoas
aprenderam por experiência prática que tocar ou sacudir uma área ferida diminui
a dor do ferimento.
Qualquer método de massagem que introduza uma estimulação sensória
controlada intensa o bastante para ser interpretada pelo cliente como um sinal
de “dor boa”, funcionará para criar contra-irritação.
A terapia de massagem em muitas formas estimula a pele sobre uma área
de desconforto. São eficientes as técnicas que friccionam a pele e o tecido
subjacente para causar avermelhamento.
Métodos de compressão e movimento exigem que o corpo atenda a um sinal
diferente e temporariamente ignore o desconforto original.
Pontos-gatilho
Um ponto-gatilho é uma área de facilitação local de nervo com músculo
ou tecido conectivo associado que cria pequenas áreas de tensão ou
micro-espasmo. Esses pontos são sensíveis à pressão e, quando estimulados, se
tornam local de dolorosa neuralgia. A dra. Janet Travell passou muito tempo de
sua carreira profissional pesquisando e desenvolvendo tratamento para
pontos-gatilho miofasciais. Parece que uma abundância de termos, inclusive
mialgia, miosite, fibrosite, fibromialgia, miofibrosite, fibromiosite, fascite,
miofascite, reumatismo, nódulo fibroso e miogelose, descrevem o ponto-gatilho
miofascial.
As opiniões diferem quanto a se os pontos-gatilho são mais um fenômeno
neuromuscular ou do tecido conectivo, mas os efeitos reconhecidos da massagem
indicam uma forte interface neuromuscular, bem como uma resposta
neuroendócrina.
O efeito da massagem nos pontos-gatilho. Travell, Simons e outros
sugerem que os efeitos da massagem sobre os pontos-gatilho miofasciais são o
resultado da estimulação de terminações nervosas proprioceptivas, da liberação
de encefalina, do alongamento de estruturas musculotendíneas que iniciam o
relaxamento muscular reflexo através dos órgãos tendíneos de Golgi e de
receptores estriados, e aumentam a circulação. Vários métodos de massagem,
inclusive a pressão, o posicionamento e o alongamento proporcionam essa
estimulação.
Leis Neurológicas e suas Implicações
para a Massagem
[
Lei do Tudo ou Nada (Bowditch)
O mais fraco
estímulo capaz de produzir uma resposta cria a resposta de contração máxima nos
músculos esqueléticos e cardíaco e nos nervos.
Implicação
para a massagem: as técnicas não necessitam ser extremamente intensas para
gerar uma resposta; tudo que é preciso é uma estimulação sensória suficiente
para começar o processo.
[
Lei de Arndt-Schulz
Estímulos
fracos ativam processos fisiológicos; estímulos muito fortes os inibem.
Implicação
para a massagem: para encorajar uma resposta especifica, use métodos mais
delicados. Para excluir uma resposta, use métodos mais profundos.
[
Lei de Bell
Raízes de
nervo espinal anterior são raízes motoras, e raízes de nervo espinal posterior
são raízes sensórias.
Implicação
para a massagem: massagem ao longo da coluna é uma forte estimulação sensória.
[
Lei da Desnervação de Cannon
Quando
efectores autônomos são separados em parte ou por completo de suas conexões
nervosas normais, eles se tornam mais sensíveis à ação de substâncias químicas.
Essa
supersensibilidade de desnervação envolve nervos feridos, que respondem a toda
estimulação sensória, independente de se a estimulação é especifica a esse
nervo. A supersensibilidade de desnervação é um fenômeno universal que afeta
músculos, nervos, glândulas salivares, glândulas sudoríparas, células
ganglionares autônomas, neurônios espinais e até mesmo neurônios do córtex.
Também ocorrem mudanças na bioquímica e na estrutura do músculo, bem como a
destruição progressiva dos elementos contráteis das fibras. Além disso, ao
contrário das fibras musculares normais que resistem à enervação de nervos
estranhos, as fibras musculares degeneradas aceitam contato com outros nervos
motores, fibras autônomas pré-ganglionares e até mesmo nervos sensórios.
Implicação
para a massagem: uma área ferida pode hiper-reagir a toda estimulação
sensória mesmo depois de curada. Se uma pessoa está resfriada, estressada no
trabalho ou não consegue dormir, áreas anteriormente feridas podem inflamar-se.
[
Lei de Hilton
Um tronco
nervoso que supre uma articulação também supre o músculo da articulação e a
pele sobre as inserções desse músculo.
Implicação
para a massagem: é difícil imaginar se uma dor se origina na própria
articulação, nos músculos em torno dela ou na pele sobre a articulação; a
estimulação de cada área afeta todas as partes.
[
Lei de Hooke
A pressão
usada para estender ou comprimir um corpo é proporcional à tensão
experimentada, desde que não tenham sido ultrapassados os limites elásticos do
corpo.
Implicação
para a massagem: métodos que alongam o tecido devem ser bastante intensos
para corresponder ao encurtamento existente, mas não ultrapassá-lo.
[
Lei da Facilitação
Quando um
impulso passou através de um determinado conjunto de neurônios com a exclusão
de outros numa vez, ele tenderá a tomar o mesmo curso numa ocasião futura e, cada
vez que atravessar esse caminho, a resistência será menor.
Implicação
para a massagem: o corpo gosta de uniformidade, o que produz padrões
habituais. Depois que o padrão foi estabelecido, é necessário menos estimulação
para ativar a resposta.
[
Lei da Especificidade da Energia Nervosa
A excitação de
um receptor sempre dá origem à mesma sensação, independentemente da natureza do
estímulo.
Implicação
para a massagem: qualquer que seja o método usado, se um receptor sensório
for ativado, ele responderá de uma maneira específica.
[
Leis de Pflüger
[
Lei da generalização
Quando a
irritação se torna muito intensa, é propagada na medula oblonga, que se torna
um foco a partir do qual os estímulos se irradiam para todas as partes da
medula, causando uma contração geral de todos os músculos do corpo.
Implicação
para a massagem: essa resposta deve ser evitada se possível. E importante
manter medidas invasivas de massagem (por exemplo, o friccionar) abaixo do
nível de intensidade que produz uma resposta geral do corpo.
[
Lei da intensidade
Movimentos
reflexos são, normalmente, mais intensos no lado da irritação; às vezes, os
movimentos do lado oposto são iguais aos movimentos em intensidade, mas em
geral apresentam-se menos pronunciados.21
Implicação
para a massagem: veja Lei da simetria.
[
Lei da radiação
Se a excitação
continua a aumentar; é propagada para cima, e ocorrem reações através de nervos
centrifugos que vêm de segmentos mais elevados da medula.21
Implicação
para a massagem: veja Lei da simetria.
[
Lei da simetria
Se a estimulação
é aumentada o suficiente, é manifestada reação motora não apenas no lado
irritado, mas também em músculos semelhantes no lado oposto do corpo.
Implicação
para a massagem: usando-se níveis crescentes de intensidade de massagem,
pode ser criado um efeito bilateral, mesmo que apenas um lado do corpo seja
massageado. Isso é útil especialmente para aplicações de massagem em áreas
dolorosas. Ao massagear o lado não afetado,
áreas dolorosas podem ser tratadas sem receber um trabalho de massagem direto.
[
Lei da unilateralidade
Se uma
irritação suave é aplicada a um ou mais nervos
sensórios, o movimento ocorrerá em geral apenas no lado que foi irritado.
Implicação
para a massagem: uma leve estimulação permanece bastante localizada em
resposta à massagem.
[
Lei de Weber
O aumento no
estímulo necessário para produzir o menor aumento perceptível na sensação tem
uma relação constante com a força do estímulo que já está atuando.
Implicação
para a massagem: para um método de massagem mudar uma percepção sensória, a
intensidade do método precisa igualar e depois exceder um pouco a sensação
existente.
2.2.7 Efeitos na Dor
Desde a época
mais remota, os humanos primitivos provavelmente tinham conhecimento que a fricção
vigorosa de uma área lesionada aliviava a dor. Este comportamento é nitidamente
instintivo, sendo exibido pelos seres humanos e por muitos animais. A fricção
da pele estimula mecanorreceptores cutâneos, e estes sinais aferentes são
capazes de bloquear a transmissão e, possivelmente, a percepção dos sinais
nociceptivos (dolorosos). Este efeito é facilmente demonstrável, e a maioria
das pessoas já o experimentou. Estes mesmos receptores cutâneos podem também
ser estimulados por outras modalidades, como a vibração mecânica e a
estimulação elétrica.
Levando em
consideração o conceito de “portal da dor” é óbvio que as técnicas de massagem
têm a capacidade de gerar informações aferentes significativas, mediante a
estimulação direta dos mecanoceptores de grande diâmetro em muitas estruturas.
Dependendo das técnicas em questão, estas estruturas estarão principalmente
situadas na pele, ou na pele e nos tecidos mais pro fundos. Qualquer que seja o
caso, a ativação do mecanismo de portão espinhal, as influências da supressão
da dor descendente e a liberação de opióides endógenos são explicações
razoáveis para o alívio da dor produzido pelas técnicas de massagem.
Os efeitos da
massagem na circulação sanguínea e linfática também podem contribuir para o
alívio da dor. Tendo em vista que certas técnicas de massagem exercem um efeito
significativo sobre a circulação, espera-se que elas promovam a remoção de
“metabólitos da dor” (cininas) da região de uma área afetada. Este efeito de
eliminação pode constituir-se em uma contribuição significativa ao alívio da
dor obtido com a massagem dos tecidos moles.
O alívio da dor
também provém do efeito relaxante produzido por certas técnicas de massagem. Se
o espasmo muscular é causa significativa da dor, então fica evidente que a
redução do espasmo muscular ajudará a aliviá-la. O relaxamento mais
generalizado que pode ser obtido com a massagem também pode contribuir para o
alívio da dor, especialmente se esta for de natureza central.
2.2.8 Efeitos nas Vísceras
Vísceras
Abdominais
Até uma época
bem recente, havia pouca informação publicada sobre os efeitos da massagem nas
vísceras abdominais. Mennell (1945) acreditava que a vigorosa massagem
abdominal, que outrora era empregada sobretudo por seus efeitos mecânicos,
derivava de uma compreensão insuficiente do intestino, Mennell alertou que a
mais leve percussão no intestino exposto de um sapo provoca um espasmo
instantâneo daquela parte, juntamente com inibição cardíaca, e que o efeito da
manipulação dos músculos involuntários dos intestinos pode ser observado
durante a cirurgia abdominal. Uma manipulação excessiva pode resultar em
super-estimulação e paralisia temporária dos músculos lisos (intestinais). Isso
pode promover o efeito oposto à inibição da função intestinal normal, e não sua
estimulação.
Mennell
acreditava ser impossível esvaziar mecanicamente o intestino delgado. Este
autor acreditava também que qualquer ação da massagem nos intestinos é pratica
mente (senão inteiramente) uma resposta reflexa à pressão da estimulação
mecânica. Esta estimulação pode aumentar o peristaltismo, assim acelerando o
esvaziamento do conteúdo intestinal. Algumas partes do intestino grosso são
bastante constantes em sua relação com a parede abdominal, e assim pode ser
acompanhada a direção do trânsito do conteúdo duodenal. Cólon ascendente e
descendente, e cólon ilíaco.
Beard e Wood
estavam convencidas de que a massagem do abdômen por amassamento e alisamento
profundo é efetiva na estimulação do peristaltismo, para promover a evacuação
de flatos e fezes do intestino grosso. Estes procedimentos podem ser realizados
pelo paciente, na posição sentada. O conteúdo do abdômen, com exceção do
duodeno e de partes fixas do cólon, pode ser facilmente deslocado ou afastado
por deslizamento, em função de qualquer pressão exercida sobre a parede
abdominal, tornando impossível exercer qualquer efeito mecânico da massagem.
Embora possa
ser possível produzir um efeito mecânico com a massagem em alguns órgãos
abdominais (por exemplo, próstata), os efeitos provavelmente refletem uma
reação reflexa à estimulação mecânica. Pode ser possível também a produção de
uma contração reflexa da musculatura lisa do baço, mas fisiologicamente é
difícil explicar qualquer efeito benéfico. Esperar qualquer benefício
proveniente da agitação do fígado, como os autores mais antigos recomendavam,
era algo muito errado, embora a massagem abdominal possa estimular a circulação
portal e, portanto, as funções hepáticas.
O tratamento
por massagem do pâncreas foi sugerido por alguns autores. Este órgão poderia
ser afetado reflexamente, mas parece provável que este seja apenas um efeito
indireto de uma melhora generalizada do tono vascular. Sendo um órgão oco, a
vesícula biliar é sensível aos efeitos mecânicos da massagem.
Visto serem
bastante limitados os conhecimentos acerca dos efeitos da massagem nas vísceras
abdominais, até que existam mais informações disponíveis, parece-nos pouco
aconselhável a realização de qualquer tipo de massagem abdominal, exceto para
músculos abdominais afetados e possivelmente de forma indireta para influenciar
a circulação e, através da resposta reflexa à pressão, estimular a atividade
dos músculos involuntários intestinais.
Há necessidade
do uso de técnicas especiais para a massagem de órgãos específicos, e estas
técnicas devem ser praticadas apenas por pessoas especialmente treinadas nos
procedimentos. (Devido aos danos que podem resultar da massagem abdominal, ela
não deve ser incluída em uma massagem geral, a menos que tenha havido uma
consulta médica prévia).
Outros
Órgãos Viscerais
Seria de se
esperar que algumas formas de massagem afetassem vários órgãos do corpo, em
virtude de seus efeitos reflexos. A massagem do tecido conjuntivo é um exemplo
óbvio: espera-se que a estimulação de áreas específicas na região posterior do
tronco produza efeitos em uma série de órgãos e estruturas em outras partes do
corpo. Este conceito baseia-se na evocação de um reflexo autônomo, mediante a
estimulação de aferentes cutâneos reflexamente relacionados a órgãos e
estruturas específicos.
Outro exemplo
do potencial das técnicas de massagem em afetar reflexamente os diversos órgãos
do corpo fica expresso no conceito terapêutico da acupuntura. Neste caso, a
pressão digital aplicada a partes específicas do corpo objetiva a produção de
efeitos reflexos em vários órgãos e sistemas. Este é ainda outro excelente
exemplo do princípio do efeito em local remoto, no qual a estimulação em uma
parte do corpo produz um efeito em Outro local, mesmo em uma área aparentemente
sem qual quer relação.
2.2.9 Efeitos na Pele
Os autores mais
antigos propuseram que a massagem tinha um efeito direto nas camadas
superficiais da epiderme. que “liberava” as aberturas das glândulas sebáceas e
sudoríparas. O mecanismo era a melhora da circulação, que, por sua vez,
melhorava diretamente o funcionamento destas glândulas (Krusen, 1941). Outros
escritores antigos pensavam que o suor não era significativamente aumentado,
mas que secreções sebáceas poderiam ser espremidas.
A observação
clínica demonstra que, em seguida à massagem a uma parte previamente engessada
durante algumas semanas, pode ser notada uma melhora definida na textura e
aspecto da pele. Se a pele ficou aderida aos teci dos subjacentes e se ocorreu
formação de tecido cicatricial. movimentos de fricção e tensão são empregados
para o afrouxamento mecânico dos tecidos aderidos, e também para o amolecimento
da cicatriz.
Considerando
que a pele é o órgão que primeiramente entra em contato com as mãos do
terapeuta, não é descabido esperar que a massagem exerça pelo menos alguns
efeitos na pele. Estes efeitos podem ser benéficos ou maléficos. Se for usada
uma quantidade excessiva de talco ou óleo na pele, é provável que sua
superfície fique entupida com resíduos do lubrificante.
2.2.10 Efeitos no Tecido Adiposo
Muitos têm
afirmado, ao longo dos anos, que a massagem remove depósitos de tecido adiposo.
Krusen (1941) sustentava que as observações clínicas não corroboravam esta
teoria, e que as tentativas de redução dos depósitos localizados de gordura são
inúteis.
Rosenthai
(citado em Cuthbertson. 1933’) investigou este problema experimentalmente. Uma
massagem vigorosa foi aplicada a certas áreas da parede abdominal de animais.
Estudos microscópicos das áreas massageadas e não massageadas não revelaram
qualquer alteração na gordura das partes tratadas, mesmo nos casos em que a
massagem havia sido suficientemente vigorosa para freqüentemente causar
pequenas hemorragias. Wright (1939) e Kalb (194-1) chegaram a conclusões
semelhantes.
2.3 Efeitos Psicológicos
§
Relaxamento físico
§
Alívio da ansiedade e tensão (estresse)
§
Estimulação da atividade física
§
Alívio da dor
§
Sensação geral de bem-estar (conforto)
§
Estímulo sexual
§
Fé em geral na deposição das mãos
Foram
publicados poucos relatos de pesquisa experimental sobre os efeitos
psicológicos da massagem. A maioria das pessoas está familiarizada com o efeito
calmante de uma massagem suave, embora não esteja presente qual quer lesão ou
incapacidade física (definida inicialmente como “massagem recreacional”). Na
massagem terapêutica, a atenção concentrada do terapeuta no paciente, em combinação
com as agradáveis sensações físicas da massagem, estabelece freqüentemente uma
relação pessoal de proximidade e de confiança. Nestas circunstâncias, os
pacientes podem revelar ao terapeuta problemas, preocupações e fatos sobre sua
saúde que, em sua óptica, eram muito triviais para contar ao médico. Nesta
situação, o terapeuta ouve e preserva qualquer informação como sendo confidencial.
O terapeuta deve ter o cuidado de não permitir que o paciente fique
demasiadamente dependente dessa relação, incentivando-o a contar as informações
relevantes ao seu médico.
Muitos dos
efeitos fisiológicos da massagem descritos anteriormente têm um componente
psicológico significativo. O alívio da dor, por exemplo, possui um componente
psicológico. visto depender intensamente da percepção do paciente. Desta forma,
o alívio da dor é um efeito psicológico legítimo da massagem.
Relaxamento
Físico
Quase todas as
pessoas acham que os tratamentos por massagem são extremamente relaxantes. Certos
movimentos em particular promovem relaxamento físico; contudo, o conceito de
relaxamento não é principalmente físico, é, na verdade, tanto psicológico como
fisiológico. Isso exige um esforço consciente para “se soltar”. A razão porque
algumas pessoas acham muito difícil relaxar seus membros pode ser uma
incapacidade de se soltar psicologicamente. Técnicas de massagem apropriadas
podem contribuir para este processo, porque elas ajudam o paciente a deixar que
seus músculos e membros relaxem.
Alívio da
Ansiedade e da Tensão (Estresse)
O alívio da
tensão por meio da massagem está intensamente ligado à. promoção do
relaxamento, identificada anteriormente. Um paciente que esteja
significativamente ansioso e tenso (estressado) achará muito difícil, senão
impossível, relaxar. À medida que a massagem promove relaxamento, também ajuda
a reduzir a ansiedade e a tensão. Isto ocorre porque o relaxamento precisa de
um desligamento psicológico da ansiedade e da tensão. Esta é uma das principais
razões pela qual a massagem recreacional é tão popular, como parte dos
programas de redução do estresse.
Estimulação
da Atividade Física
Certas técnicas
de massagem são bastante estimulantes, produzindo uma forte sensação de
revigoramento. Estas técnicas se mostraram muito úteis no mundo esportivo, e
deram origem ao conceito da massagem esportiva, que simplesmente reflete a
noção do uso de certas técnicas de massagem para a promoção da atividade física
e melhora no desempenho. Com freqüência ocorre um forte impacto psicológico em
função da aplicação das técnicas de massagem apropriadas.
Sensação
Geral de Bem-estar (Conforto)
Há pouca dúvida
de que o tratamento por massagem é urna forma muito agradável de terapia. O
estado geral de relaxamento e o alívio do estresse, possivelmente em conjunto
com a redução da dor, têm o efeito de induzir uma sensação de bem-estar no
paciente. Esta sensação também deve estar ligada à liberação de opióides
endógenos ou de outras substâncias. No mínimo, a massagem é um meio
significativo de alcançar urna sensação de bem-estar, e isso pode explicar,
pelo menos em parte, a popularidade da massagem recreacional em todo o mundo.
Estímulo
Sexual
Certamente
técnicas de massagem têm sido usadas durante incontáveis séculos como meio de
estimulação sexual.
A estimulação
sexual não é um simples assunto de reflexos, que depende apenas de suficiente
estimulação de certas áreas do corpo. E tanto um processo psicológico, como
físico: a estimulação sexual ocorre na mente. Certamente, a estimulação
periférica ajuda, mas todo o processo não é apenas uma simples ação reflexa. A
estimulação sexual não é um objetivo da massagem terapêutica, e, por esta
razão. muitas zonas erógenas devem ser cidadosamente evitadas.
3 Anatomia e fisiologia básicas
O estudo da
anatomia e fisiologia humana abre nossa compreensão para a complexa maravilha
que é o funcionamento orgânico do corpo.
O sistema
energético no qual a massoterapia se baseia desenvolveu-se milhares de anos
antes dos conhecimentos modernos de anatomia e fisiologia. No entanto, esses
conhecimentos são importantes para melhor entendermos as funções dos meridianos
de energia (que são diretamente relacionados às diversas funções orgânicas) e a
ação do shiatsu e da acupressura em geral.
3.1 Sistema Ósseo
Aparelho de
sustentação e “moldura” protetora dos órgãos. É a “estrutura” do nosso corpo,
formada normalmente por 206 ossos, que se ligam através de articulações que
tornam possível o movimento.
Os ossos são
tecidos vivos. Na sua composição encontramos substâncias minerais (carbonato e
fosfato de cálcio) e orgânicas. Possuem glóbulos brancos e vermelhos, vasos
sangüíneos e linfáticos, e nervos. Apresentam sensitividade. As células vivas
são responsáveis pelo desenvolvimento dos ossos durante o período de
crescimento e pela sua recuperação após uma fratura.
Quanto aos
ossos, os seguintes termos são empregados:
Processo ou
apófise — é uma saliência óssea
Trocanter — um
processo largo
Espinha —
processo comprido e fino
Tubérculo —
pequeno processo arredondado.
Tuberosidade —
processo arredondado largo.
Fossa —
depressão.
Forame ou
forâmen — orifício.
As
articulações ósseas podem ou não permitir movimentos entre os ossos. As
articulações entre os ossos do crânio, por exemplo, oferecem mobilidade
extremamente reduzida. O tipo de articulação que oferece maior mobilidade é a
sinovial (joelhos, cotovelos, ombros etc.).
Nas junturas
sinoviais encontramos os ligamentos. São tecidos fibrosos, fortes e flexíveis,
que ligam os ossos — ajudando a mantê-los em seus lugares, impedindo que eles
“resvalem” uns sobre os outros, e limitando a amplitude dos movimentos
articulares.
AGRUPAMENTOS
ÓSSEOS PRINCIPAIS
Esqueleto
axial:
Consiste dos
ossos do crânio e face, coluna vertebral e tórax.
CRÂNIO
Os ossos do crânio são em número de 8. Suas articulações são rígidas. Temos:
1 occipital, 1
frontal, 2 parietais, 2 temporais, 1 esfenóide (encravado no meio dos ossos na
parte da frente da base do crânio), 1 etmóide (encravado no osso frontal).
FACE 14
ossos angulares e irregulares. A estrutura do nariz é em grande parte formada
por cartilagem. Os ossos principais são:
2 maxilares
superiores, 1 maxilar inferior (ou mandíbula), 2 malares (ossos da maçã do
rosto), 2 nasais, 2 lacrimais, etc.
COLUNA
É o suporte central do esqueleto. Dá apoio aos órgãos in VERTEBRAL ternos e
abriga a medula espinhal, que se liga a todo o corpo através do sistema nervoso
periférico. Lesões na coluna podem interferir nos movimentos do corpo e,
através do sistema nervoso autônomo, no funcionamento dos órgãos. A coluna é
formada pelas vértebras. Temos:
7 cervicais —
Grupo flexível de vértebras, de articulações delicadas que, no conjunto,
permitem boa amplitude de 66 movimentos. A 1ª, 2ª e 7ª vértebras apresentam
formatos singulares; São chamadas respectivamente atlas, áxis e proeminente.
12 torácicas
ou dorsais — Grupo bastante rígido de vértebras. Articulam-se com as 24
costelas. Com elas e com o esterno formam a caixa torácica.
5 lombares —
Grupo com as maiores vértebras da coluna, cujas articulações permitem razoável
mobilidade. Suportam uma grande carga de peso, sendo especialmente sacrificadas
pelo fato do homem ter se tornado bípede.
Sacro —
Formado por 5 vértebras fundidas. Se articula com os ossos dos quadris (ossos
ilíacos), formando com eles a cóccix — Formado por pequenas vértebras fundidas,
cujo número normalmente varia em torno de 4. Ê o “rabinho” do ser humano.
TÓRAX:
A caixa torácica abriga o coração e os pulmões. Ë uma estrutura de certa
flexibilidade, capaz de se contrair e expandir acompanhando a respiração.
Ossos: 24
costelas, esterno. As costelas se dividem em verdadeiras, falsas e flutuantes.
As verdadeiras (7 pares) se prendem diretamente ao esterno. As falsas (3 pares)
se ligam ao esterno de forma indireta. As flutuantes (2 pares) não se prendem
ao esterno, só à coluna. O esterno é um osso ímpar, localizado na parte da
frente do tórax. Apresenta três partes fundidas: punho ou manúbrio, corpo e
processo xifóide.
Esqueleto
apendicular:
Bem mais móvel
que o esqueleto axial, consiste nos ombros e quadris, membros superiores e
inferiores. Liga-se ao esqueleto axial através das cinturas — escapular
(ombros) e pélvica (quadris). Fraturas nos ossos do esqueleto apendicular são
mais comuns, porém bem menos sérias do que nos do esqueleto axial.
CINTURA
ESCAPULAR. Ossos: escápula (ou omoplata), clavícula. A escápula só se prende ao
esqueleto axial através de músculos. Por isto em algumas pessoas ela parece tão
“solta”.
MEMBROS
SUPERIORES
Ossos:
do braço
— Úmero. O úmero se articula com a escápula de forma bastante 68 solta,
permitindo grande mobilidade ao braço.
do antebraço —
ulna (lado do dedo mínimo) e rádio (lado do polegar) do pulso
Carpo (8
ossos)
da mão
— 5 metacarpos dos dedos — 14 falanges. As falanges são numeradas de 1 a 3
sendo a 1 a mais próxima da mão. Ou: falange (proximal), falanginha (média) e
falangeta (distal). Os metacarpos são numerados de 19 a 59, sendo o 19 o que se
articula com a falange proximal do polegar.
CINTURA
PÉLVICA: A pelve feminina é mais larga que a masculina, para ser capaz de
abrigar o feto em desenvolvimento. (Pelve ou
quadris) É composta pelos 6 ossos
ilíacos: 2 ílios, 2 ísquios, 2 púbis. Cada ílio se articula com o sacro na sua
parte superior, e com 1 ísquio e 1 púbis na sua parte inferior. O ílio, o
ísquio e o púbis formam o osso do quadril. O osso do quadril do lado esquerdo
se articula com o do lado direito na frente do corpo, através da sínfise púbica
(articulação entre os púbis).
MEMBROS
INFERIORES
Ossos:
da coxa —
fêmur
da perna —
tíbia e fíbula
do joelho —
patela (ou rótula)
do pé — tarso
(7 ossos — entre eles o calcâneo) e 5 metatarsos
dos dedos — 14
falanges.
O fêmur é o
osso mais longo do corpo. Observe que sua forma faz com que o peso do corpo
incida diretamente sobre os pés.
A articulação
entre o fêmur e a pelve (articulação coxofemural) é firme, com um encaixe
profundo e fortes ligamentos. Por isto os movimentos da perna em relação ao
tronco são bem mais restritos do que os do braço.
A tíbia é um
osso muito robusto, feito para suportar o peso do corpo.
Os pés são
estruturas feitas para suportar o peso do corpo todo. Por isso, quando
aplicamos shiatsu nas solas, pode mos utilizar pressões fortes.
A numeração
dos metatarsos e falanges dos pés é similar à dos metacarpos e falanges das
mãos.
3.2 Sistema Muscular
O tecido
muscular é elástico, apresenta propriedade de retornar imediatamente à sua
forma original, podendo se contrair ou estender. Tensões nos levam a
inconscientemente manter determinados grupos de músculos contraídos de forma
contínua, até mesmo durante o sono. Formam-se verdadeiros “nós” musculares, que
causam dor física e desconforto psicológico, e limitam a livre movimentação do
corpo. É importante trabalharmos nosso corpo, para mantermos a musculatura
flexível e o corpo-mente equilibrado.
CLASSIFICAÇÃO
DOS MÚSCULOS
Temos três
tipos básicos de músculos:
1) Estriados:
São músculos de controle voluntário, ligados ao esqueleto. Sua função é operar
os ossos do corpo, produzindo movimento. Somam mais de 400.
2) Lisos: São
músculos de controle involuntário. São encontrados nas paredes dos vasos
sangüíneos e órgãos internos. Operam os movimentos viscerais. Exceção:
musculatura da
bexiga — lisa, porém voluntária.
3) Músculos
cardíacos: São estriados, porém de controle involuntário.
OS MÚSCULOS E
OS MOVIMENTOS DO CORPO
As
articulações móveis do esqueleto formam um sistema de alavancas. Os músculos
atuam sobre estas alavancas. Os movimentos são produzidos basicamente por
grupos musculares, e não por músculos isolados. Grupos musculares de funções
complementares se colocam em oposição, e agem em conjunto. Assim, na parte
interna do antebraço temos flexores, e na externa extensores; na face anterior
da coxa encontramos extensores, e na posterior flexores, etc. Quando dizemos
que um músculo é um flexor, estamos nos referindo à sua ação principal, já que
cada músculo participa em diferentes movimentos. Por sua vez, mesmo os
movimentos mais simples são complexos e envolvem a ação de vários músculos.
Flexor: o que
faz dobrar
Extensor: o
que faz estender
Adutor: o que
traz
Abdutor: o que
afasta
Rotator:
produz movimento de rotação em torno de um eixo.
Os tendões são
feixes de fibras em que terminam os músculos. Ligam os músculos aos ossos. São
alongados, fortes e flexíveis.
PRINCIPAIS
MÚSCULOS E PONTOS A ELES RELACIONADOS
Músculos que
nos interessam na prática da Massoterapia:
FACE: Masseter: músculo de mastigação.
Pode se apresentar tenso e dolorido. O ponto E 6 atua sobre ele. Frontal:
músculo delicado, de expressão facial, situado na testa. Orbicular dos olhos:
músculo de fechamento dos olhos. Os Pontos VB 1 e B 2 atuam sobre esse músculo.
Temporal: músculo mastigador, situado nas têmporas. Sobre ele age o
Ponto Tai Yo.
PESCOÇO: Esternocleidomastóideo:
importante músculo da face lateral do pescoço. Atua na rotação e flexão da
cabeça. Começa no esterno e na clavícula, indo até a lateral do osso occipital.
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NUCA E OMBROS
: Trapézio: outro músculo de
grande importância. Acumula grande tensão. Cobre a nuca, os ombros e parte das
costas (região torácica). Ligado às doze vértebras torácicas e à 7 cervical, ao
occipital, à escápula e à clavícula. Atua nos movimentos do ombro e da cabeça.
O ponto B 10 situa-se sobre o trapézio, onde ele encontra o osso occipital. Outros
Pontos que usamos para “soltar” esse e os outros músculos da nuca e dos ombros:
VB2O, VB21, TA17, ID11, ID13 e pontos do meridiano da bexiga na região
torácica. Esplênio da cabeça: situa-se na nuca, sob os músculos trapézio
e esternocleidomastóideo, e entre eles. Atua em movi mentos da cabeça,
em conjunção com o esternocleidomastóideo. Atua sobre o esplênio da cabeça o
Ponto VB 20, que se localiza entre ele e o trapézio.
COSTAS: Longo:
é a longa faixa muscular que podemos sentir correndo paralela à coluna
vertebral. Faz parte da musculatura profunda das costas, situando-se embaixo do
trapézio, do grande dorsal, e de outros músculos. Forma, com o íliocostal e o
espinhal, o músculo eretor da espinha. Sobre o músculo longo situam-se vários
Pontos do meridiano da Bexiga, incluindo-se o B 52. Grande dorsal:
responsável pelo movimento de rotação interna do braço. Rombóide
(superior e inferior): músculos estabilizadores da escápula, se localizam
abaixo do trapézio inferior, entre as escápulas.
REGIÃO LOMBAR
E DOS QUADRIS: Psoas-ilíaco: ilíaco, grande psoas e pequeno psoas são
importantes músculos posturais. São músculos profundos, ligados às vértebras
lombares, à última torácica, ao osso ilíaco e ao fêmur. Agem como flexores dos
quadris e estabilizadores da região lombar, tanto na posição sentada quanto de
pé.
TÓRAX: Grande
peitoral: origina-se na clavícula, no esterno e nas costelas, tem a ponta
superior do úmero (osso do braço). Atua em movimentos do braço (adução e
rotação interna). Em algumas pessoas a musculatura peitoral se apresenta muito
tensa. Principal Ponto relacionado: P 1.
MÚSCULOS DA
RESPIRAÇÃO: Diafragma: é o “chão” da cavidade torácica, separando-a da cavidade
abdominal. É o principal músculo da respiração. Contrai-se quando inspiramos e
relaxa na expiração. M. intercostais: situam-se entre as costelas. São
importantes músculos da respiração.
ABDÔMEN: Reto
abdominal: atua na flexão do tronco. Situado embaixo dos oblíquos abdominais
interno e externo. Oblíquo externo ou grande oblíquo do abdômen: rotação e
inclinação lateral do tronco.
OMBRO: Deltóide: atua em vários movimentos do braço.
ESCÁPULA:
Supra-espinhoso, infra-espinhoso, redondo (pequeno e grande) e subscapular:
Movimentos do braço. Pontos relacionados: ID 11 e ID 13.
BRAÇOS: Bíceps
braquial: flexão do braço. Tríceps braquial: extensor do braço.
ANTEBRAÇO: Na
face interna do antebraço encontramos um grupo de músculos flexores e na face
externa um grupo de extensores, que atuam nos movimentos do punho, da mão e dos
dedos. O Ponto IG 10, visto anteriormente, situa-se sobre o músculo extensor
dos dedos, que pode ser sentido na face externa do antebraço quando abrimos e
fechamos a mão.
NÁDEGAS:
Glúteo (grande, médio e pequeno): tem funções de extensão, flexão, abdução e
rotação do fêmur. São importantes músculos posturais, que atuam na
estabilização dos quadris quando ficamos de pé, andamos, corremos, escalamos
etc. Podem acumular grande tensão, tornando-se rígidos e doloridos. Principais
Pontos relacionados à musculatura glútea: Tem Shi, VB3O e B53.
COXAS:
Quadríceps crural ou femural: compõe a larga massa muscular da face anterior da
coxa. Constitui-se de quatro músculos que convergem para um único tendão que se
insere na tíbia. São eles: o retrocrural, o vasto externo, o vasto
intermediário e o vasto interno. Atuam na extensão do joelho. O retrocrural
também atua na flexão da articulação coxofemural (entre o fêmur e a pelve).
Adutores: situados na face interna da coxa. Temos 3 adutores (longo, curto e
grande adutor), o grácil (ou reto- interno) e o pectíneo. Além da adução atuam
na flexão, extensão e rotação da articulação coxofemural. Bíceps crural e
semitendinoso: parte posterior da coxa. Ativos na flexão do joelho e na
extensão da articulação coxofemural. Esses músculos são os que se contraem quando
nos inclinamos para frente tentando tocar os pés com as mãos. Atrás dos joelhos
dobrados podemos facilmente sentir os tendões desses músculos, que vão se
inserir na fíbula e na tíbia, respectivamente. O ponto B 37 age sobre estes
músculos.
PERNAS Tibial
anterior: atua em movimentos do pé e tornozelo. Sobre esse músculo, do lado da
tíbia, encontramos o importante Ponto E36. Gastrocnêmicos: músculos da batata
da perna. Atuam nos movimentos dos pés e joelhos. Entre os músculos gêmeos
encontramos o B 57.
3.3 Sistema Digestivo
A função
básica do aparelho digestivo é transformar os alimentos ingeridos — através de
ações mecânicas e reações químicas — preparando para serem absorvidos pelo
organismo. Essa absorção se dá através de células da parede interior dos órgãos
digestivos e de capilares (pequenos vasos) sangüíneos e linfáticos. A função
digestiva se completa com a eliminação dos resíduos não aproveitáveis.
O sistema
digestivo é um canal (canal alimentar ou tubo digestivo) que vai da boca ao
ânus, “serpenteando” dentro do corpo na cavidade abdominal. Também fazem parte
deste sistema os órgãos anexos, que produzem substâncias que são lançadas no
tubo digestivo por pequenos canais, para auxiliar na digestão dos alimentos.
Shiatsu no
hara, em áreas reflexas das costas e em determinados meridianos e Pontos
contribui muito para equilibrar e fortalecer o funcionamento do sis tema
digestivo.
Compare a
localização dos órgãos digestivos com o trabalho de diagnóstico-terapia que
realizaremos no hara (p. 146).
O TUBO
DIGESTIVO
1) Boca: Com o
auxílio dos dentes, língua e glândulas salivares o alimento é umedecido e
triturado, ficando pronto para ser engolido. E a primeira etapa da digestão.
2) Faringe:
Via de acesso comum aos alimentos e ao ar. Quando engolimos, uma pequena
válvula (epiglote) fecha a entrada da laringe, impedindo que alimentos penetrem
as vias respiratórias.
3) Esôfago: A
faringe se bifurca em laringe e esôfago. A laringe leva aos brônquios, o
esôfago ao estômago.
4) Estômago:
Armazena a comida recém-ingerida e a prepara para o intestino delgado.
5) Intestino: Continua o trabalho digestivo, com o
auxílio das secreções delgado: do
fígado e do pâncreas. Aqui ocorre a maior parte da absorção dos nutrientes.
Divide-se em: duodeno, jejuno, íleo
6) Intestino
Mais largo, menor em comprimento e mais “arrumado” grosso: na cavidade
abdominal que o intestino delgado. Absorve basicamente líquidos.
Divide-se em:
Ceco, cólon
ascendente, transverso, descendente, sigmóide (local onde as fezes se acumulam
antes de serem eliminadas), reto e ânus.
Os nutrientes
absorvidos são levados ao fígado (pela veia porta), onde são tratados,
armazenados e lançados na circulação sangüínea através das veias hepáticas,
alcançando rapidamente o coração e daí todo o organismo.
OS ÓRGÃOS
ANEXOS
Glândulas
Localizadas próximas à boca, onde lançam secreções que
salivares:
ajudam a umedecer os alimentos.
Fígado: Produz
a bílis, que é lançada no duodeno e auxilia na digestão de gorduras.
Vesícula
biliar: Armazena bílis, lançando-a no duodeno no momento necessário.
Pâncreas:
Produz enzimas que são lançadas no duodeno para auxiliar na digestão de
proteínas, gorduras e carboidratos.
Baço: Filtra o
sangue, colabora na formação da bílis, produz glóbulos brancos (função
imunológica).
3.4 Sistema Circulatório
O aparelho
circulatório é encarregado da circulação sanguínea. O sangue leva nutrientes e
oxigênio às células do corpo, removendo resíduos e gás carbônico.
Esse aparelho
é formado pelo coração e vasos sangüíneos. O coração é a “bomba” muscular que
mantém o fluxo sangüíneo. Os vasos sangüíneos são as artérias, veias e
capilares.
As artérias
levam sangue do coração para o resto do corpo, e as veias retornam o sangue ao
coração. Geralmente as artérias conduzem sangue arterial, rico em oxigênio, e as
veias sangue venoso, que contém gás carbônico.
Os capilares
são tubos de diâmetro muito fino. Através deles substâncias e gases se
transferem do sistema vascular (dos vasos sangüíneos) para os tecidos do corpo,
e dos tecidos de volta ao sistema vascular.
No sangue
encontramos glóbulos vermelhos (hemácias) e brancos(leucócitos). Os glóbulos
vermelhos são transportadores de oxigênio para o corpo. O oxigênio é recolhido
nos pulmões e levado até os capilares, de onde alcança as células. Os glóbulos
brancos desempenham importante papel imunológico. Combatem bactérias e defendem
o organismo de infecções.
A pequena
circulação é o percurso que o sangue venoso faz do coração aos pulmões, onde é
purificado, e de volta ao coração. A grande circulação é feita pelo sangue
arterial do coração a todas as partes do corpo, e dos tecidos do corpo de volta
ao coração na forma de sangue venoso.
PRINCIPAIS
ARTÉRIAS E VEIAS
As artérias
nascem largas e vão se subdividindo e estreitando. As veias nas cem pequenas e
vão se alargando.
Artérias
TRONCO: Aorta:
A principal artéria do corpo. Ë ela que muitas vezes sentimos pulsar fortemente
quando tocamos o abdêmen na altura do umbigo. Da aorta saem diversas artérias
que vão alimentar os órgãos internos, o cérebro, os membros, enfim, o corpo
todo. Renal: Alimenta os rins.
CABEÇA:
Carótida: A artéria carótida comum sai da seção ascendente da aorta. Vai se
subdividir na carótida externa e carótida interna. A carótida externa alimenta
a face, e a interna o cérebro.
BRAÇOS:
Braquial: É continuação da artéria axilar, que — por sua vez — é continuação da
artéria subclávia. Vai se ramificar nas artérias radial e cubital.
COXAS:
Femural: A artéria aorta se bifurca na sua parte inferior, de modo a alimentar
as pernas. Ilíaca comum é o nome dado às artérias resultantes dessa bifurcação.
A ilíaca comum, por sua vez, vai se dividir nas ilíacas interna e externa. A
artéria femural é a continuação da artéria ilíaca externa.
PERNAS: Tibial
anterior, tibial posterior e fibular: A artéria femural continua sob o nome de
artéria poplítea, e divide-se na perna nas artérias tibial anterior, tibial
posterior e fibular.
CORAÇÃO:
Coronárias: Alimentam o músculo cardíaco, formando uma “coroa” em torno do
coração. A “drenagem” é feita através das veias cardíacas. Tronco pulmonar:
Começo das artérias pulmonares direita e esquerda. Leva sangue venoso do
coração aos pulmões, onde ocorrerá hematose (transformação de sangue venoso em
arterial). As veias pulmonares levam sangue arterial dos pulmões ao coração.
Veias
As veias
normalmente correm juntas com as artérias do mesmo nome. Assim, temos as veias
cubital, radial, braquial, fibulares, femural, ilíaca comum, renal etc.
Veia cava: A
veia cava inferior situa-se à direita da aorta e desemboca no coração. A veia
cava superior recebe veias da cabeça e dos braços.
Veia jugular
interna: Corre junto com a artéria carótida interna e a carótida comum. Drena o
sangue venoso que vem do cérebro.
Veia porta: As
ramificações da veia porta drenam o sangue rico em nutrientes do trato
gastrintestinal para o fígado. O fígado altera, armazena e, de acordo com as
necessidades, solta esses nutrientes. Através das veias hepáticas eles vão
alcançar rapidamente o coração, e daí são distribuídos a todas as partes do
corpo pela circulação sangüínea.
3.5 Sistema Linfático
Uma enorme
parcela do corpo constitui-se de líquidos. Esses líquidos necessitam manter-se
em circulação. Os vasos linfáticos “escoam” dentro das veias os líquidos do
corpo que não se encontram dentro do sistema vascular, e que devem a ele
eventualmente retornar a fim de alcançarem o coração. Os vasos linfáticos são
auxiliares das veias na sua função de “drenagem”.
O sistema
linfático não possui um “coração” — depende da ação dos músculos vizinhos para
realizarem sua função. Exercícios físicos e massagem auxiliam a manutenção do
fluxo normal do sistema linfático.
3.6 Sistema Respiratório
O aparelho
respiratório compõe-se de:
1. Vias
respiratórias: fossas nasais, faringe, laringe, traquéia, brônquios
2. Pulmões
O aparelho
respiratório traz ar para dentro do corpo e o prepara de modo que o oxigênio
nele contido possa ser absorvido pelo sangue. Ao mesmo tempo dióxido de carbono
se desprende, ocorrendo assim uma troca. Essa troca (absorção de oxigênio —
eliminação de dióxido de carbono) é chamada de hematose. O oxigênio absorvido
vem alcançar e suprir todas as partes do corpo através da circulação sangUínea.
O aparelho
respiratório também participa na articulação de sons na realização da fala.
3.7 Sistema Urinário
O aparelho
urinário é composto de:
1. Rins
2. Vias
urinárias: bacinetes, ureteres, bexiga, uretra.
Os rins
“filtram” o sangue, removendo dele quantidades variáveis de água e substâncias
orgânicas e inorgânicas, na medida em que o fluxo sangüíneo passa por eles. Dessa
forma mantém o equilíbrio de composição e volume dos líquidos do corpo.
Os rins
localizam-se na parte posterior da cavidade abdominal, um de cada lado da
coluna, entre a borda superior da 12 vértebra torácica e a 3 lombar. O rim
direito situa-se um pouco abaixo do esquerdo, devido ao grande espaço ocupado
pelo fígado.
A urina contém
resíduos desnecessários ao organismo dissolvidos em água. Após ser produzida
pelos rins, fica acumulada na bexiga até o momento de ser eliminada.
3.8 Sistema Nervoso
Os músculos
agem sobre o esqueleto e sobre as vísceras, produzindo os movi mentos do corpo
e operando seu funcionamento orgânico. O sistema nervoso comanda a ação dos
músculos — através de impulsos enviados pelo sistema nervoso central. Logo
controla os movimentos voluntários e a vida vegetativa.
Os impulsos
provenientes do sistema nervoso central ocorrem em resposta a informações que
ele mesmo recolhe, através dos receptores sensitivos — as sensações externas
(colhidas através dos órgãos dos sentidos, responsáveis pelo nosso senso de
localização no espaço) e internas.
Os impulsos
nervosos são uma forma de energia eletroquímica. São gerados e conduzidos pelas
células nervosas (neurônios). Os neurônios são a unidade funcional fundamental
do sistema nervoso. Os neurônios sensitivos conduzem impulsos dos receptores do
corpo para o sistema nervoso central. Esses receptores podem ser sensíveis ao
calor, ao toque, à luz, ao
paladar, à dor, à tensão muscular etc. Os neurônios motores levam impulsos do
sistema nervoso central para o corpo, produzindo a ação física e os movimentos
viscerais.
Os neurônios
(sensitivos e motores) que conduzem impulsos entre a pele ou a musculatura que
movimenta o esqueleto e o sistema nervoso central são chamados de neurônios
somáticos. Neurônios viscerais são os que conduzem impulsos entre as vísceras e
o sistema nervoso central, tenham eles funções sensitivas ou motoras.
O sistema
nervoso divide-se em sistema nervoso central e periférico.
1. SISTEMA
NERVOSO CENTRAL
O sistema
nervoso central constitui-se do encéfalo e da medula espinhal.
Encéfalo:
Divisão
Embriológica: telencéfalo (hemisférios cerebrais ou cérebro), diencéfalo,
mesencéfalo, metencéfalo (cerebelo e ponte), Mielencéfalo (medula oblonga ou
bulbo).
1) Telencéfalo
(hemisférios cerebrais ou cérebro)
A camada
superficial (córtex) do cérebro é a sua área mais desenvolvida. Partes do
córtex cerebral recebem os nomes dos ossos cranianos com os quais se
relacionam. Assim temos os lobos frontal, temporal, parietal e occipital. Cada
lobo é responsável por determinadas funções. O lobo frontal ocupa-se
primariamente de funções motoras (postura; movimentos voluntários) e
intelectuais (pensamento abstrato e racional; fala). O lobo parietal ocupa-se,
entre outras, de funções sensoriais, reconhecendo sensações físicas como a dor,
a temperatura, toque e paladar. O lobo temporal relaciona-se ao comportamento
emocional, ao olfato, audição, linguagem, etc. O lobo occipital é ligado à
visão.
2) Diencéfalo
O diencéfalo
se encontra incrustado por baixo e para dentro dos hemisférios cerebrais. Se
ocupa basicamente de funções sensoriais e autônomas, como controle da
temperatura do corpo, sensação de apetite, ligação entre reflexos viscerais e
reações emocionais, etc. Faz parte do diencéfalo a glândula pineal.
3) Mesencéfalo
Também
incrustado na parte inferior do cérebro, por baixo do diencéfalo. Ocupa-se de
reflexos provocados por estímulos visuais e auditivos inesperados; conduz
impulsos motores do cérebro para o bulbo e a medula espinhal; etc.
4) Metencéfalo
Composto pela
ponte e pelo cerebelo. A ponte, entre outras coisas, é responsável pela nossa
capacidade de permanecermos alertas e atentos. O cerebelo é responsável por
nosso senso de equilíbrio. Controla e coordena a atividade muscular em geral
(incluindo a manutenção do tono muscular).
5)
Mielencéfalo
O mielencéfalo
origina a medula oblonga (alongada), ou bulbo, que se ocupa de importantes
reflexos orgânicos, como os ritmos cardíacos e respiratórios.
Divisão
Anatômica:
Anatomicamente
podemos dividir o encéfalo em:
1) cérebro
2) tronco
encefálico
3) cerebelo
O tronco
encefálico constitui-se de todo o encéfalo, menos os hemisférios cerebrais e o
cerebelo — ou seja, o diencéfalo, o mesencéfalo, a ponte e o bulbo. Como o
diencéfalo se encontra recoberto pelos hemisférios cerebrais, alguns autores o
consideram parte do cérebro, e não do tronco encefálico.
A medula
espinhal é uma continuação do encéfalo, que se estende pelo canal existente no
interior da coluna vertebral (canal formado pelos forames vertebrais) até o
nível da 2 vértebra lombar. Transmite impulsos do corpo para o encéfalo, e
vice-versa.
II. SISTEMA
NERVOSO PERIFÉRICO
Formado por
feixes de nervos (filamentos de tecido que conduzem os impulsos nervosos) que
se irradiam do encéfalo e medula espinhal alcançando todas as partes do corpo.
Através desse sistema transitam informações sensoriais do corpo para o sistema
nervoso central, e as respostas motoras do sistema nervoso central para os
músculos do corpo. O sistema nervoso periférico apresenta dois tipos de nervos,
os cranianos e os espinhais.
Nervos
cranianos
São os nervos
que se projetam da base do encéfalo. Inervam primariamente a cabeça e o
pescoço. Entre outros temos os nervos olfatórios, o nervo ótico, o nervo facial
(inerva a musculatura mímica), o nervo auditivo, o nervo trigêmeo, o nervo vago
(que inerva também órgãos do tórax e abdômen), etc.
Nervos
espinhais
São os nervos
que emergem bilateralmente da medula espinhal através dos forames
intervertebrais. Cada nervo possui duas raízes (uma ventral e uma dorsal) — ou
seja, se bifurca conectando-se com a medula espinhal em dois pontos. A raiz
ventral possui fibras motoras, e a raiz dorsal fibras sensitivas. O nervo
espinhal então é sempre misto — possui fibras motoras e sensitivas.
Após deixar a
medula espinhal, cada nervo se divide e ramifica. Esses ramos vão inervar
músculos e pele. Os ramos que inervam os músculos do esqueleto vão supri-los
com fibras motoras (para a ação muscular), fibras motoras autônomas (para a
musculatura lisa das artérias musculares) e fibras sensitivas (para os
receptores dos músculos e tendões). Os ramos que inervam a pele a suprem com
fibras sensitivas e fibras motoras autônomas (para as artérias cutâneas e
glândulas sudoríparas).
Os nervos
espinhais formam “redes”, ou plexos nervosos que inervam áreas específicas do
corpo.
Principais
plexos nervosos
PLEXO
CERVICAL: Inerva pele e músculos do pescoço.
PLEXO
BRAQUIAL: Inerva braços e ombros.
PLEXO LOMBOSSACRO:
Compõe-se dos plexos lombar e sacro. Inerva pernas, nádegas, região inferior do
abdômen e genitais. Faz parte do plexo sacro o nervo ciático (ou isquiático),
cujas ramificações (nervos tibial e fibular comum) chegam até os dedos e solas
dos pés.
SISTEMA
NERVOSO AUTÔNOMO
O sistema
nervoso autônomo é parte do sistema nervoso periférico. Inerva os músculos
cardíacos e os músculos lisos e glândulas dos órgãos internos, controlando o
funcionamento involuntário do coração, estômago, intestinos, órgãos
reprodutivos, etc. Controla assim as funções da vida vegetativa (como a
circulação sangüínea, a digestão, a respiração). É um sistema motor, e não
sensorial. Os neurônios motores autônomos das vísceras são diferentes dos
neurônios motores somáticos (voluntários), e vão caracterizar o sistema nervoso
autônomo. Já os neurônios sensoriais viscerais são iguais aos somáticos —
portanto, não são considerados parte do sistema autônomo.
O sistema
nervoso autônomo se divide nos sistemas simpático e parassimpático. O sistema
simpático é estimulante, e o parassimpático é regulador.
Sistema
Nervoso Simpático
O sistema
nervoso simpático reage a situações inesperadas ou de perigo de vida, ou em
manifestações emocionais — um barulho súbito, uma briga ou discussão, um quase
acidente de carro, etc. E ativado pela adrenalina. Quando o sistema simpático
entra em ação o coração bate mais rápido ou dispara, a pressão sangüínea sobe,
a traquéia se dilata e o ritmo da respiração aumenta, a pupila se dilata,
começamos a suar, o sangue flui para os músculos voluntários do esqueleto, os
sistemas digestivo e sexual são desativados — enfim, são tomadas medidas para
enfrentar uma situação de emergência. Prepara a pessoa para “lutar ou fugir” —
to fight or to flight. Essas reações ocorrem com maior ou menor intensidade,
dependendo do caso específico.
Os nervos do
sistema simpático se irradiam da medula espinhal (do nível da 1 vértebra
torácica à 2 lombar). Tão logo deixam a coluna vertebral, separam-se dos nervos
espinhais e vão formar uma cadeia de gânglios (agrupa mento de células nervosas
fora do SNC) situada ao longo da coluna. Essa cadeia de gânglios se chama
tronco simpático, e se estende bilateralmente do nível da 1 vértebra cervical
até o cóccix.
O sistema
nervoso autônomo é associado aos diversos órgãos do corpo. Os pontos
Associados. que também se relacionam aos órgãos, situam-se sobre o tronco
simpático — existindo, pois, uma relação entre eles e o sistema nervoso que
parece justificar anatomicamente a mecânica de funcionamento desses pontos.
Sistema
Nervoso Parassimpático
O sistema
parassimpático tem efeito calmante sobre o organismo. Reduz o ritmo cardíaco e
a freqüência respiratória, estimula a digestão (e a absorção de nutrientes) e a
função sexual. A musculatura voluntária relaxa, o fluxo sangüíneo é orientado
para os tecidos superficiais da pele e para os órgãos digestivos (após uma
lauta refeição, o parassimpático entra em ação). Logo, o parassimpático regula
o funcionamento da vida vegetativa, num efeito quase antagônico ao sistema
simpático. Na verdade, os dois sistemas inter-relacionam-se de forma complexa,
às vezes complementar. Por exemplo, o sistema parassimpático é responsável pela
ereção do órgão masculino (atua na vaso dilatação dos órgãos genitais), e o
simpático pela ejaculação (atua na vaso constrição). Quando fazemos um relaxamento
profundo, ou meditamos, ativamos o parassimpático. Na principal prática
espiritual do tantra yoga, onde a energia sexual é diretamente utilizada nas
meditações, o homem se relaciona sexualmente com a mulher sem ejacular.
Em
seu livro A Função do Orgasmo, Reich menciona que quando sentimos dor ou
ansiedade ativa-se o sistema simpático — e o organismo se contrai. Por outro
lado, quando sentimos prazer o parassimpático é acionado, ocorrendo uma
“expansão” — o corpo se “abre”, se torna mais receptivo. Ainda comparando os
dois sistemas, podemos relacionar os exercícios de alongamento muscular ao
parassimpático, e os de força ao simpático.
As raízes
nervosas do parassimpático originam-se no tronco encefálico e na medula
espinhal (ao nível do sacro). Seus gânglios não formam uma cadeia (como o
sistema simpático) — se localizam nas próprias vísceras que eles inervam.
O Shiatsu e
as Reações Simpáticas e Parassimpáticas
Quando levamos
um susto e nos sobressaltamos, o sistema simpático reage imediatamente — o
coração dispara, a pressão sangüínea aumenta, etc. Passado o susto, o sistema
parassimpático entra em ação, trazendo o corpo de volta à normalidade. Se
vivemos uma emoção forte e o sistema simpático é ativado violentamente, quando
o parassimpático entra em ação nos faz sentir exauridos e até mesmo sonolentos
— todos sabemos como as emoções fortes cansam!
No shiatsu,
quando aplicamos pressões enérgicas e súbitas, ativamos o sis tema simpático —
o corpo do paciente reage e se contrai, seu ritmo cardíaco se acelera, etc. A
ativação do sistema simpático (do ritmo cardíaco) é — inclusive — o propósito
de alguns estilos estimulantes de massagem ocidental — que por isso não são
indicados a pessoas debilitadas fisicamente, já que consumiria suas poucas
reservas de energia.
Para
equilibrarmos e tonificarmos o organismo precisamos acionar o sistema
parassimpático. Quando o parassimpático é ativado, a musculatura se torna
macia, o corpo “aberto”, receptivo. Essa é a função da mão “mãe” no zen shiatsu
— ela mantém o paciente relaxado, evitando que as pressões de nossa mão “livre”
provoquem reações do sistema simpático. Além disso, se tocamos com nossa mão
“livre” um ponto ou área sensível e o paciente sente dor, seu corpo se contrai,
se “fecha” para a sensação de dor. Essa contração é uma reação involuntária
relacionada ao sistema simpático, que percebemos com facilidade na palma de
nossa mão “mãe”. Podemos então ajustar a pressão de nossas mãos de forma que o
sistema simpático seja desativado e o parassimpático acionado.
Essa reação de
contração do sistema simpático é típica dos pontos kyo profundos e sensíveis, O
ponto kyo é um “ponto fraco”. Da mesma forma que quando falamos dos defeitos e
fraquezas psicológicas de uma pessoa sua reação normal é se defender e se
fechar para a crítica, quando tocamos um ponto kyo a reação automática do corpo
é de se “fechar” para defender o ponto “atacado”. Essa contração, esse
“fechamento” (uma reação do sistema nervoso simpático) não deve ser confundido
com áreas rígidas jitsu. A tensão provocada pelo sistema nervoso para
“proteger” o ponto kyo é momentânea — assim que o paciente relaxe (ou o
estímulo cesse) ela se dissolve, a defesa do corpo se desfaz e nossa mão
“afunda” no ponto.
3.9 Sistema endócrino
Glândulas são
grupos de células que separam certas substâncias do sangue e delas produzem
novas substâncias — as secreções. Temos dois tipos de glândulas:
1. As
glândulas endócrinas (sem ductos), ou de secreção interna.
II. As
glândulas de secreção externa, que secretam através de ductos (canais).
As glândulas
de secreção externa secretam numa cavidade ou superfície do corpo — como as
glândulas sudoríparas (eliminação de toxinas e resfriamento do corpo),
salivares (auxiliam na digestão), lacrimais (umedecimento da córnea e
conjuntiva), etc.
As glândulas
endócrinas secretam seus produtos diretamente no sangue ou na linfa. Os
produtos das glândulas endócrinas são os hormônios. Hormônios são agentes
químicos que influem no funcionamento dos órgãos. São secretados em quantidades
diminutas, mas seus efeitos são importantíssimos. Têm papel fundamental na
manutenção do equilíbrio químico orgânico, já que atuam no metabolismo.
Metabolismo é o conjunto de reações químicas através das quais o organismo
assimila as substâncias necessárias à vida e elimina as desnecessárias. O
pâncreas, por exemplo, atua no metabolismo do açúcar, as paratireóides atuam no
do cálcio, etc. As glândulas endócrinas são funda mentais para o crescimento e
para as funções de reprodução.
Existem divergências
sobre a classificação das glândulas endócrinas, mas tradicionalmente são:
Hipófise ou
pituitária:
Situada na
base do cérebro, a hipófise tem funções múltiplas. Seus hormônios estimulam as
outras glândulas a secretar seus produtos — como as supra- renais, a tiróide,
as gônadas. Atua também no sistema de reprodução e crescimento.
Corpo Pineal:
O corpo pineal
é parte do diencéfalo. Suas funções são, aparentemente, reguladoras de outras
glândulas endócrinas e de certas atividades metabólicas.
Tireóide:
Situa-se em
frente à traquéia, na parte baixa do pescoço. Produz o hormônio tiroxina, de
efeito estimulante sobre o metabolismo. A tiroxina facilita e aumenta o consumo
de oxigênio pelos tecidos do organismo. Também atua no crescimento, no
desenvolvimento, na atividade nervosa e no metabolismo de carboidratos e
gorduras.
Para
tireóides:
São quatro
pequenos “botões” situados ao lado da tiróide. Secretam o paratormônio, que
regula o nível de cálcio no sangue, com efeitos sobre os sistemas muscular e
circulatório.
Timo:
Situa-se na
parte superior do tórax, acima e na frente do coração. Atua nos sistemas
linfático e imunológico. Sua atividade diminui muito após a puberdade, sendo
sua substância eventualmente substituída por tecidos fibrosos.
Supra-renais:
Secretam a
adrenalina, que afeta o organismo de modo a produzir energia para consumo
imediato, elevando os ritmos cardíaco e respiratório, etc. Secretam também
hormônios essenciais ao metabolismo e hormônios sexuais. As supra-renais
localizam-se sobre os rins.
Gônadas:
São as
glândulas genitais — testículos e ovários. Produzem as células germinativas
masculinas (espermatozóides) e femininas (óvulos). Seus hormônios controlam as
características sexuais (crescimento dos cabelos, desenvolvi mento dos seios,
etc.). Os hormônios masculinos e femininos estão presentes em ambos os sexos,
porém em proporções diferentes.
Pâncreas:
O pâncreas é
uma glândula mista, que secreta interna e externamente. Sua secreção externa é
o suco pancreático que, lançado no duodeno, atua na digestão. Sua secreção
interna é a insulina, que atua na absorção do açúcar pelas células do corpo. Na
ausência de insulina, o açúcar do sangue não é adequadamente consumido pelas
células, se acumulando de maneira irregular. Esse acúmulo de açúcar no sangue
caracteriza a diabete.
3.10 O Shiatsu e os Sistemas Nervoso e
Glandular Endócrino
O shiatsu lida
essencialmente com energia — os meridianos são o fluxo dessa energia. O sistema
nervoso também opera energeticamente. Possui uma estrutura anatômica (o
encéfalo, a medula espinhal, os nervos), mas seu funcionamento ocorre pela
transmissão de energia eletroquímica (OS impulsos nervosos) através dessa
estrutura. No impulso nervoso íons (átomos carrega dos eletricamente) se
propagam através dos tecidos nervosos. As glândulas endócrinas atuam em
sintonia com o sistema nervoso. Agem sobre todas as funções do corpo, atingindo
órgãos distantes e muitas vezes aparentemente sem qualquer relação com a
glândula em questão — lembrando a ação dos meridianos e pontos, que também
afetam órgãos e funções muitas vezes distantes e com os quais não parecem ter
qualquer relação.
O shiatsu age
sobre o sistema nervoso e glandular, harmonizando seu funcionamento. Age também
através desses sistemas — pressão em certos pontos provocam reações no sistema
nervoso e nas glândulas endócrinas. Essas reações afetam os órgãos e suas
funções de uma forma positiva, contribuindo para o equilíbrio orgânico.
Principais
relações entre pontos e os sistemas nervoso e glandular endócrino
Pontos Associados:
Relacionados ao sistema nervoso autônomo, os pontos Associados refletem
irregularidades e equilibram o funcionamento dos órgãos internos do corpo.
ID 11:
É área da escápula em geral — atua sobre o plexo nervoso braquial.
Área T 11/T
12: A área reflexa do meridiano do Rim nas costas (ao das costas: nível da
11 e 12 vértebras torácicas) atua sobre as glândulas supra-renais.
Pontos nas
nádegas e região sacro-lombar: Pontos das nádegas (como o Ten Shi e VB 30),
região lombar e sacro agem sobre o plexo lombossacro, que inerva órgãos
genitais, pernas, nádegas e abdômen.
VG 16:
Atua sobre o bulbo (parte de contato do encéfalo com a medula espinhal), com
reflexos sobre o sistema nervoso e atividades orgânicas.
Cabeça e
face: Pressão sobre os pontos da face e cabeça estimula suave- mente
extremidades de nervos cranianos e o encéfalo. Pressão delicada sobre os olhos
age sobre o trigêmeo e outros nervos cranianos.
Pontos do
pescoço: Shiatsu no pescoço é feito com pressões suaves. Nas faces laterais
do pescoço atua sobre a tiróide, as paratireóides e o nervo vago (nervo
craniano que inerva órgãos auditivos, do pescoço, torácicos (coração, pulmões)
e abdominais). Shiatsu na nuca age sobre o plexo cervical.
4 Objetivos da Massoterapia
[
Prevenir doenças, ao equilibrar a circulação de
energia no corpo.
[
Recuperar a vitalidade e o prazer de viver, ao
restabelecer o fluxo de energia às partes debilitadas do corpo.
[
Aumentar a consciência corporal e restabelecer a
unidade do corpo-mente.
[
Promover melhor respiração, eliminação,
assimilação, transpiração, aumento da imunidade e fortalecimento renal.
[
Aumentar a capacidade de expressão das emoções,
ao reduzir a ação das couraças musculares.
[
Aliviar as tensões e eliminar o desconforto por
elas causado, promovendo relaxamento.
5 Indicações
Edema crônico,
Tecido
cicatricial (superficial ou profundo),
Lesões de
músculos, tendões, ligamentos ou articulações (tendinites),
Hematomas
(superficiais ou profundos),
Constipação,
Entorse,
Artrite,
Bursite,
Sinusite
(pouca contribuição),
Gastrite,
Labirintite,
Hipertensão,
Diabetes,
Obesidade
(fome, ansiedade),
Enxaqueca,
|
Dor muscular,
Prisão de
ventre,
Zumbido no
ouvido,
Relaxamento,
Revitalização,
Cansaço no
corpo,
Eliminação de
toxinas,
Aumento da
Vitalidade,
Fadiga
muscular,
Irritação,
Acalmar os nervos, Tensão, Depressão leve.
Fraturas
(tecidos moles, após consolidação)
Asma,
Insônia,
Bronquite,
Stress,
|
6 Contra-Indicações (relativas)
[
Pessoas com câncer ou tuberculose na área a ser
tratada.
[
Soropositivos (HIV)
[
Áreas de hiperestesia grave
[
Zonas com tumor
[
Osteoporose avançada, Osteomielite.
[
Hérnia de disco
[
Febre alta e dores associadas a uma infecção
[
Infecções de pele, ossos, articulações
[
Doença de pele (por exemplo, psoríase)
[
Áreas em que estejam incrustados corpos
estranhos como vidro e sujidades
[
Artrite em uma articulação isolada (que pode
indicar a presença de infecção bacteriana)
[
Hemorragia (qualquer sangramento interno pode
ser aumentado pela massagem)
[
Distúrbios dos vasos sanguíneos: Veias varicosas,
flebite aguda (inflamação de vias), ou trombose (coágulo). (em partes distantes
é seguro a aplicação)
[
Sobre o local de uma fratura até que ela esteja
curada: daí para frente, a massagem acelerará ainda mais na cura.
[
Massagem abdominal quando existe náusea, vômito
e diarréia, assim como na mulher grávida (abdominal, lombar e pontos abortivos)
[
Pontos abortivos: pontos da região abdominal,
lombar, extremidades das mãos e pés.
[
Distensão do abdome ou massa ou inchação
abdominais.
[
Caso: um paciente pode apresentar-se com uma
tumefação crônica visível em torno dos pés, tornozelos e parte inferior das
pernas. Em uma análise superficial, essa parece ser uma indicação ideal para a
massagem de mobilização dos líquidos e remoção do edema; contudo, se o edema é
decorrente de uma insuficiência cardíaca congestiva, isso poderia
contra-indicar o tratamento, a menos que o distúrbio cardíaco esteja muito bem
controlado. Neste caso, é provável que o inchaço das pernas seja um mecanismo
pelo qual o sistema cardiovascular inadequado do paciente descarregou liquido
na periferia, como meio de reduzir a carga de bombeamento no coração. A
mobilização deste líquido de volta para o sistema cardiovascular poderia
sobrecarregar o coração do paciente. Este exemplo esclarece a importância de
compreender as razões para os sinais e sintomas de paciente.
7 Precauções Gerais
A massagem é um
tratamento relativamente seguro; contudo, os pacientes podem sofrer algum dano,
caso recebam um tratamento inadequado ou não apropriado. Obviamente, há necessidade
de uma avaliação cuidadosa da situação global do paciente. A lista a seguir
contém muitas precauções baseadas no senso comum, e que devem ser observadas
antes, durante, e depois da massagem.
1. Obtenha um
diagnóstico médico acurado.
2. Efetue uma
anamnese e um exame físico apropriado, para que seja determinado como a
disfunção está afetando o paciente e formule um plano terapêutico adequado.
Lembre-se que as técnicas de massagem são melhor utilizadas em combinação com
outras técnicas de reabilitação, e não como tratamento exclusivo.
3. Verifique
cuidadosamente as possíveis contra-indicações ao tratamento.
4. Cubra as
partes que não estão sendo manipuladas, verifique o posicionamento do paciente,
e o apóie de forma apropriada.
5. Garanta um
elevado padrão de limpeza, especialmente para suas mãos.
6. Efetue a
massagem adequadamente, ao mesmo tempo em que é monitorada a resposta do
paciente.
7. Avalie e
documente a resposta do paciente ao tratamento de modo que, em caso de
necessidade, sejam feitas modificações.
8 Procedimentos
[
Preparar o ambiente, criando uma atmosfera
tranqüila e silenciosa no local da massagem.
[
Desligar o celular, para não ser interrompido.
[
Cuidar de sua higiene pessoal, tais como unhas
bem curtas, não usar perfume ativo, cabelos presos, roupa confortável.
[
Usar óleo na temperatura ambiente ou mais
aquecido.
[
Tirar todas as jóias ou bijuterias e aquecer as
mãos friccionando-as antes de iniciar o tratamento.
[
Fazer uma anamnese ou entrevista com a pessoa,
fazendo uma ficha para cada pessoa.
[
Trocar todos os lençóis a cada novo cliente e
manter sempre a sala limpa e com ar renovado.
[
Utilizar uma música suave ao fundo.
9 a Postura do Massoterapeuta
[
Sua respiração deverá estar conectada com o
movimento da massagem. Inspire e expire compassadamente e mais profundo quando
sentir zonas mais tensas.
[
Lembrar de estar presente, se colocando em
posições que permitam liberdade de movimento.
[
Manter sempre a mão em contato com o corpo do
paciente. (Ayurvédica)
[
Coloque-se de forma que tanto o seu lado direito
quanto o esquerdo sejam usados durante a massagem. Para que ambos os lados
possam se desenvolver com habilidade e sem sobrecarga.
[
Quando pensamentos tomarem conta de sua mente
(isto é sinal que você se desconectou do trabalho) procure observar, respirando
profundamente, e retome o contato com mais presença.
[
Ao executar as manobras e deslizamentos, procure
observar que se você usar o peso do seu próprio corpo estará evitando desgastes
energéticos desnecessários.
[
A fluidez dos movimentos com a sintonia de sua
presença no trabalho, faz com que a massagem se desenvolva de uma forma
harmônica e bela.
[
Use movimentos inteiros, toque toda a extensão
das áreas trabalhadas, lembrando-se que o toque é um dom que pode ser
descoberto, desenvolvido e é vital.
[
Realizar a massagem num ritmo constante e com
movimentos suaves, uniformes e vigorosos evitando transições bruscas.
[
Não comentar sobre as tensões da pessoa em
tratamento.
[
Não provocar no cliente, durante a massagem,
dores intensas, e insuportáveis que podem estragar todo um trabalho já
realizado.
[
Não dar vazão a conversas. O silêncio e uma
música de fundo agradável também fazem parte do tratamento.
[
Após terminar o tratamento, o terapeuta deve
relaxar por alguns minutos para recompor a sua energia.
10 Ética
Princípios fundamentais
O Massoterapeuta
I – Trabalhará na promoção do bem estar
do indivíduo, da coletividade e do meio ambiente, segundo o paradigma
holístico;
II – Manterá constante desenvolvimento
pessoal, científico, técnico, ético e filosófico, através de supervisão,
terapia e/ou psicoterapia, cursos e similares, estando a par dos estudos e
pesquisas mais atuais na área, bem como dos trabalhos milenares e tradicionais,
além de ser estudioso das ciências afins;
III – Usará em seus trabalhos, métodos
os mais naturais e brandos possíveis, buscando catalizar o auto-equilíbrio da
pessoa atendida, despertando-lhe os seus próprios recursos harmonizantes;
IV – Orientar-se-á, no exercício de sua
profissão, pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em
10/12/1948 pela Assembléia Geral Das Nações Unidas.
Direito do Massoterapeuta
Art. 01 – Exercer a profissão de
massoterapeuta sem ser discriminado por questões de religião, raça, sexo,
nacionalidade, cor, opção sexual, idade, condição social, opinião política ou
situações afins;
Art. 02 – Utilizar-se de técnicas que
são de seu domínio.
Art. 03 – Recusar-se a realização de
trabalhos terapêuticos que, embora sejam permitidos por lei, sejam contrários
aos ditantes de sua consciência;
Art. 04 – Suspender e/ou recusar
atendimento público ou individual, se o local não oferecer condições adequadas,
ou se não houver remuneração condigna, ou ainda, se ocorrerem fatos que, a seu
critério, prejudiquem o bom relacionamento com a pessoa a ser atendida, impedindo
o pleno exercício profissional;
Responsabilidades Gerais do Massoterapeuta
Art. 05 – São deveres do
massoterapeuta:
§1 – Assumir apenas trabalhos para
os quais esteja apto, pessoal, técnica e legalmente;
§2 – Prestar serviços terapêuticos
somente se: em condições de trabalho adequadas, de acordo com os princípios e
técnicas reconhecidas ou pelas Tradições Milenares, ou pela prática, ou pela
ciência e, sobretudo, pela ética;
§3 – Zelar pela dignidade da categoria,
recusando e denunciando situações onde a pessoa atendida esteja sendo
prejudicada;
§4 – Participar de movimentos que visem
promover a categoria e o paradigma holístico em geral.
§5 – Estar devidamente registrado para o
exercício de sua atividade profissional, quer seja como autônomo ou como pessoa
jurídica;
§6 – Manter-se em dia com as obrigações
definidas no Estatuto Social do SINTE;
Art.
6 – Ao massoterapeuta é
vetado:
§1 – Usar títulos que não possua;
§2 – Efetuar procedimentos terapêuticos
sem o esclarecimento e conhecimento prévio da pessoa atendida ou de seu
responsável legal;
§3 – Desrespeitar o pudor de qualquer
pessoa sob seus cuidados profissionais;
§4 – Aproveitar-se de situações
decorrentes do atendimento terapêutico para obter vantagens, física, emocional,
financeira, política ou religiosa;
§5 – Exercer técnicas de aconselhamento
profissional, caso ele próprio há mais de 03 meses não esteja se submetendo a
tratamento terapêutico e/ou psicoterápico de manutenção;
§6 – Reduzir o tempo de cada sessão a fim
de aumentar o número de atendimentos;
§7 – Permitir que a pessoa atendida,
durante a sessão, fique sem o acompanhamento de corpo presente de um
profissional qualificado, em especial se estiver recebendo aplicação ou sob
efeito de quaisquer técnicas terapêuticas;
Das
Relações Com Outros Terapeutas e Outras Categorias Profissionais
O
Massoterapeuta:
Art.
07 – Não será
conveniente com erros, faltas éticas, crimes ou contravenções penais praticadas
por outros na prestação de serviços profissionais;
Art.
08 – Não intervirá
prestação de serviços de outro Terapeuta. Salvo se: a pedido do próprio
profissional; quando comunicado por qualquer uma das partes da interrupção
voluntária do atendimento; quando se tratar de trabalho multiprofissional e a
intervenção fizer parte da metodologia adotada; em situações emergenciais,
devendo comunicar o fato imediatamente ao outro terapeuta ; e, em situações
descritas no Art. 05, 3, dando
ciência do ocorrido ao SINTE;
Art.
09 – No relacionamento
com profissionais de outras áreas, trabalhará dentro dos limites das atividades
que lhes são reservadas pela legislação e reconhecerá os casos que necessitem
também dos demais campos de especialização profissional; encaminhando-os às
pessoas habilitadas para a tais funções;
Do
Sigilo Profissional
Art.
10 – O Sigilo protegerá
a pessoa atendida em tudo aquilo que o Terapeuta venha a tomar conhecimento
como decorrência do exercício de sua atividade profissional;
Art.
11 – O menor impúbere ou
interdito estará igualmente protegido, devendo ser comunicado aos responsáveis apenas
o estritamente necessário para promover medidas em seu benefício;
Art.
12 – Com autorização da
pessoa atendida, o Terapeuta poderá repassar dados a outro profissional, desde
que o recebedor esteja igualmente obrigado a preservar o sigilo por Código de
ética e que, sob nenhuma forma, permita a estranhos o acesso às informações;
Art.
13 – O Terapeuta tem o
dever de garantir, em seus atendimentos, condições adequadas à segurança da
pessoa atendida, bem como à privacidade que garanta o sigilo profissional;
Art.
14 – Em caso de
falecimento do Terapeuta, o SINTE, ao tomar conhecimento do fato, providenciará
a incineração de seu arquivo confidencial, garantindo, assim, o sigilo das
informações;
Art.
15 – A quebra do sigilo
só será admissível se tratar-se de fato delituoso e a gravidade de suas
conseqüências para o próprio atendido ou para terceiros justificar a denúncia
do fato; ainda assim, o acontecido será julgado por comissão de ética e ser
designada pelo SINTE;
Da
Comunicação Ao Público, Da Divulgação De Pesquisas e Estudos e Da Publicidade
Profissional.
Art.
16 – Ao Terapeuta, na
realização de sue estudos e pesquisas, bem como no ensino e treinamento, é
vedado:
§1 – Interferir na vida dos sujeitos, sem
o consentimento dos mesmos, além de informá-los sobre as possíveis
conseqüências de tais atividades;
§2 – Promover experiências que envolvam
qualquer espécie de risco ou prejuízos a seres humanos, animais ou ambiente;
§3 – Negar o livre acesso das pessoas
envolvidas aos resultados das pesquisas ou estudos, se estas assim o desejarem;
§4 – Deixar de citar as fontes
consultadas ou de mencionar as contribuições prestadas por assistentes,
colaboradores ou outros autores, bem como utilizar-se de informações
particulares ainda não publicadas sem autorização expressa do autor;
Art.
17 – Em todas as
comunicações ou divulgações públicas, o terapeuta omitirá e/ou alterará dados
que possam conduzir a identificação da pessoa ou instituição envolvida, exceto
se houver interesse manifesto das mesmas;
Art
18 – O Terapeuta a
promover publicamente os seus serviços:
§1 – Informará com exatidão o número de
seu CRT;
§2 – Não poderá utilizar o preço de
serviço como forma de propaganda;
§3 – Não proporá atividades que impliquem
invasão ou desrespeito a outras áreas profissionais;
§4 – Em hipótese alguma fará previsão
taxativa de resultados, ou se utilizará de conteúdos falsos ou
sensacionalistas;
§5 – Não fará uso de expressões,
palavreado técnico, roupagem ou quaisquer artifícios que possam induzir o
público a acreditar que pertença a outra categoria profissional, que não seja a
de terapeuta;
Dos
Honorários Profissionais
Art.
19 – Os honorários serão
fixados com dignidade e com o devido cuidado, para que correspondam a uma justa
retribuição aos serviços prestados, lembrando que o terapeuta para manter a
qualidade do seu trabalho precisa de recursos financeiros para investir em
supervisão, cursos, estudos, terapia e/ou psicoterapia, o que, indiretamente
implica em benefícios da pessoa atendida;
§Único – Se o Terapeuta, reduzindo o
valor de seus honorários deixará de cumprir qualquer recomendação do código de
ética, em especial o item II dos
Princípios Fundamentais e os 6 e 7 do Art.
6, diminuindo assim, o padrão de qualidade exigido pelo SINTE, estará
exercendo concorrência desleal;
Art.
20 – A fim de tornar a
profissão de terapeuta reconhecida pela confiança e aprovação da sociedade, os
honorários poderão ser adaptados às condições financeiras do atendido, tomando
este, ciência da exceção feita e comunicando-se o fato ao SINTE, para que não
se caracterize como concorrência desleal;
Da
Observância, Aplicação e Cumprimento do Código de Ética
Art.
21 – O SINTE assessorará
os terapeutas na aplicação deste código e sua observância, além de acatar
denúncias de quaisquer procedências, instaurando investigação sigilosa (só
terão amplo acesso aos dados as partes diretamente interessadas, ou seja,
denunciante e denunciado, ou seus representantes);
Art.
22 – As infrações ao código de Ética acarretarão penalidades várias, obedecendo aos critérios
estabelecidos no Capítulo V do Estatuto
social do SINTE, além da suspensão e até mesmo da perda do CRT;
Art.
23 – Competirá ao SINTE
firmar jurisprudência quanto aos casos omissos e fazê-la incorpor a este
código, o qual poderá ser alterado mediante proposta da diretoria e desde que
aprovada em reunião oficial;
Art.
24 – O presente Código
de Ética entra em vigor na data de sua publicação e o seu cumprimento será
exigido obedecendo a Resolução SINTE
número 001/92.















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